Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 15/06/2020
De acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 217, é dever do Estado fomentar a prática desportiva, sendo um direito do cidadão brasileiro. Entretanto, o acesso ao esporte, muitas vezes, acaba sendo limitado pela condição financeira ou localização espacial da moradia do indivíduo. Diante disso, é importante ressaltar que o esporte é de fundamental importância para efetivação da cidadania do brasileiro, sendo essencial que haja o seu pleno acesso. Nesse cenário, urge a necessidade de destacar o potencial potencial positivo do esporte na efetivação da cidadania e a negligência estatal a esse potencial.
Primordialmente, destaca-se o potencial positivo do esporte como meio de efetivação da cidadania na sociedade brasileira. Segundo relatório das Nações Unidas, o esporte é um importante meio para o acesso a cidadania. De fato, através da prática esportiva, garante-se a diversos jovens, muitas vezes sem perspectivas de vida, possibilidade de sonhar e, em muitos casos, mudar sua vida. A exemplo, vale lembrar casos como o de Pelé e Ronaldinho Gaúcho, que mudaram suas vidas através do Futebol e se tornaram grandes referências, mais do que apenas no esporte, nacionais. Assim, tem-se evidente que a prerrogativa relatada pela ONU é real e que o esporte realmente pode garantir maior acesso a cidadania.
Sob esse viés, apesar de tais vantagens, nota-se um descaso por parte do Estado no uso da prática esportiva para a inclusão cidadã. Conforme a teoria do contrato social - a proposta pelo contratualista John Locke - , cabe ao Estado garantir medidas que assegurem a efetivação dos direitos e o bem-estar coletivo. Contudo, a estrutura esportiva de muitos colégios e centros esportivos é defasada nesse sentido pela falta de investimento do Estado. Comprova-se isso com a recente extinção do Ministério do Esporte, pelo Governo Federal, e queda de mais de 100 milhões de investimento na área. Por conseguinte, uma parcela expressiva da população é excluída desse direito constitucional, quebrando a lógica contratual proposta por Locke.
Portanto, para efetivo acesso a cidadania pelo esporte, é importante que o Governo Federal, por meio de investimentos na área esportiva, forneça maior acesso ao esporte á população. Tais investimentos podem ser realizados, por exemplo, na construção de quadras esportivas em áreas carentes e financiamento de projetos sociais dessa natureza. Com isso, a prerrogativa constitucional do Artigo 217 será cumprida e o maior acesso a cidadania será possível através do esporte e seu poder de transformação social.