Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 28/06/2020
O filósofo São Tomás de Aquino afirma que todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. Entretanto, no Brasil, a inserção esportiva é uma estratégia para alcançar a cidadania plena, visto que há falhas na aplicação do princípio de isonomia no tocante a efetivação dos direitos. Nesse contexto, torna-se evidente a carência de investimentos no esporte, bem como a compreensão deturpada da função social deste.
É válido ressaltar, a princípio, que a Constituição Federal de 1988 prevê que todos os indivíduos tenham acesso à lazer, educação e cidadania. No entanto, esse panorama não corresponde a realdade da maioria dos jovens, sobretudo daqueles residentes das periferias do país. Nesse sentido, a ausência de ações do poder público em oferecer infraestrutura ,como quadras de esportes, espaços de lazer e promoção de atividades interativas ,para auxilar na formação dos adolescentes que vivem em maior vulnerabilidade social. Isso porque estes os esses não encontram perspectivas de melhora para o futuro em vista da realidade de esquecimento a qual estão inseridos. Assim, é indubitável pontuar que o Estado não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor dos direitos mínimos, e isso ocasiona a intensificação da problemática da violência e falta de oportunidades.
Outrossim, as Nações Unidas em seu “Relatório sobre o Esporte para o Desenvolvimento e a Paz de 2003”, afirma que o esporte por sua própria natureza envolve participação. Além da inclusão e da cidadania, na medida em que une indivíduos e comunidades, destacando os aspectos comuns e servindo de ponte entre diferenças étnicas e culturais. No entanto, a população em geral não compreende a real da importância do esporte, não enxergando a contribuição significativa desse para a sociedade. Diante disso, é fundamental afirmar que o esporte pode atuar como agente transformador e responsável pela mudança de comportamento do indivíduo e que tem papel relevante como instrumento de inserção social e promoção da cidadania.
Depreende-se, portanto, que o esporte tem importância ímpar na construção da cidadania e deve receber a devida atenção. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Ministério da Cidadania, invista em espaços que proporcionem atividades interativas, de modo que esses locais sejam planejados para atender as áreas de maior vulnerabilidade social, incluindo além de esportes como futebol, vôlei , basquete etc., práticas de música, dança e teatro, como forma de incluir as camadas mas pobres que por vezes não tem acesso a tais oportunidades. Com isso, tem-se o fito de promover a mudança de perspectivas dos jovens das comunidades carentes e também atuar como uma forma de combate a violência.