Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 05/07/2020

Promulgada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os indivíduos o direito à dignidade e ao bem-estar. Todavia, a desigualdade social e o preconceito impedem que parcelas menos favorecidas financeiramente  e grupos étnicos ou sociais minoritários gozem plenamente dos bens jurídicos tutelados no documento internacional. Diante disso, no Brasil, evidencia-se a necessidade de intervenção estatal, aliada à cooperação popular, com vistas a promover integração e pluralidade na sociedade contemporânea, a partir das ferramentas disponíveis, como o esporte.

Em princípio, sabe-se que o combate à desigualdade e à má distribuição de recursos é pilar fundamental para a manutenção da homeostase social na contemporaneidade. Atualmente, quase 14 milhões de brasileiros vivem em estado de extrema pobreza (menos de 1,9 dólar por dia), segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por conseguinte, conforme o conceito de cidadania de papel, cunhado pelo jornalista Gilberto Dimenstein, apesar do percentual supracitado possuir, em termos legais, os mesmos direitos e deveres do restante da população, a cidadania vivenciada por esse grupo torna-se inerte e sem efeito. Dentro desse panorama, o esporte figura como elemento integrador, que proporciona o ideal de pertencimento aos grupos preteridos.

Faz-se imperioso, ainda, salientar que é função do Estado prover, àqueles que não tem acesso, o esporte como instrumento pedagógico, capaz de agregar valor à educação. Isto posto, vale retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, que disse que o sol jamais enxergaria a sombra, por serem incompatíveis. Nesse ensejo, pode-se comparar o brilho solar ao ato governamental de envidar esforços, financeiros e normativos, para assegurar a acessibilidade ao lazer e ao esporte dentro dos grupos excluídos. Dessa forma, a sombra, atual “status quo” (estado atual), cederia espaço ao avanço, ao passo que a luz irradiasse com maior intensidade.

Destarte, depreende-se que o Estado tem importante papel a cumprir no ajuste do hodierno panorama. Logo, cabe ao parlamento a abertura de comissão permanente, que atue cotidianamente em prol da causa. Para isso, deverão ser conclamados membros do Ministério do Esporte, economistas, juristas e representantes voluntários do setor esportivo, a fim de conferir pluralidade aos trabalhos. Ademais, é mister que o Ministério do esporte divulgue ostensivamente, em meios televisivo e virtual, os trabalhos da comissão e incentive o uso dos novos centros de lazer comunitários, a serem desenvolvidos como fruto do empenho legislativo. Assim, o senso de pertencimento florescerá nos grupos integrados e o país agirá em conformidade com o lema positivista nacional: ordem e progresso.