Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 07/07/2020

De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, para o desenvolvimento pleno de uma sociedade é imprescindível a presença da “solidariedade orgânica”, a qual consiste na interdependência e na diversidade entre os indivíduos de odo a gerar um meio coeso e harmônico. Todavia, o esporte no Brasil configura-se como uma quebra dessa diretriz solidária, haja vista que a abordagem precária no meio estudantil, assim como a escassez de recursos para prática de desportos mostram-se presentes no âmbito social.

Em primeira instância a desvalorização do esporte nas escolas denota um sério problema na contemporaneidade. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a preocupação com a administração da vida distancia o homem da reflexão moral. Esse pensamento se relaciona com o atual cotidiano escolar o qual prioriza uma filosofia individualista de acertos e ganhos imediatos para concursos vestibulares em detrimento de gerar habilidades de socialização em grupos com objetivos diferentes. Assim, sem o desenvolvimento de competências por meio do esporte, reflexo de uma modernidade líquida, o corre a formação de jovens ansiosos e preocupados com a vida profissional, ocasionando a fragilidade dos laços humanos.

Ressalta-se, também, a falta de investimentos para a prática esportiva como outro fator agravante desse quadro. Em 1995, o presidente Fernando Henrique criou o Ministério do Esporte, responsável por desempenhar uma política nacional do esporte pela inclusão coletiva. Porém, nos dias atuais, no governo de Jair Bolsonaro, o fim desse órgão público diminuiu as verbas aplicadas em matérias e estruturas de uso gratuito. Ademais, evidencia-se a falta de condições da população de preticar desportos com alto rendimento, já que demandam um alto custo e um espaço adequado. Em decorrência da ausência de recursos, muitos cidadãos não desfrutam de momentos de lazer e de qualidade de vida, bem como da profissionalização de habilidades físicas.

Logo, enquanto o esporte não obter significância nos colégios, enquanto a inexistência de verbas verbas dificultas as atividades de alto rendimento a execução esportiva no país continuará como um desafio a ser suplantado. Desse modo, as escolas deveriam aplicar a prática obrigatória do esporte como parte complementar da nota no boletim. Além dessa medida, o Estado, por meio do Ministério da Cidadania e de auxílio monetário, reabriria os Estádios Olímpicos de 2016 nos quais incluiriam os equipamentos necessários e os profissionais capazes de treinar o atleta a fim de que toda população consiga ter a oportunidade de aprimorar e desenvolver habilidades, valores e bons hábitos.