Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 03/08/2020

No início do século XIX, o futebol era um esporte nobre, praticado somente pela camada mais renomada da socieadade e pelos ingleses. Hoje em dia, esta modalidade esportiva, além de ser símbolo da cultura nacional, que abrange todas as camadas sociais brasileiras (assim como os demais esportes), serve como inspiração aos conceitos que estruturam a cidadania, já que promovem a inclusão social, o incentivo ao cumprimento de regras e o exercício de valores, como o respeito.

Consoante ao artigo 4° do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que reconhece a prática esportiva como um direito a ser assegurado à população infanto-juvenil, é de extrema importância reconhecer os benefícios que este ato oferece, tanto no bem estar físico e psicológico dos jovens, como no desenvolvimento de características sociais do indivíduo. Diante disso, a educação física passou a englobar a grade curricular das instituições de ensino. No entanto, ainda que necessária, sua abrangência é limitada, já que, segundo o INEP, apenas 26,8% das escolas públicas de Ensino Fundamental possuem quadra de esporte, o que acaba infelizmente impossibilitando a prática das atividades físicas.

Em segunda análise, além das ações das várias esferas no governo, ainda que sejam insuficientes, atualmente, dezenas de associações, como ONGs, instituições filantrópicas desenvolvem projetos nas regiões periféricas. Essas organizações estimulam a prática de esportes através do incentivo à escola e como forma de motivação às atividades de lazer, que acabam afastando esses jovens da criminalidade. O Instituto do Esporte e Educação, por exemplo, criou núcleos esportivos socioeducativos em comunidades de 15 estados para atender crianças e adolescentes, e afirma que, a medida em que esses jovens se interessam pelas modalidades físicas, contribuem certamente para a diminuição do índice de criminalidade da região.

Portanto, é de responsabilidade do Governo Federal, de forma conjunta com ECA, garantir a democratização do esporte aos jovens, por meio da criação de políticas e programas públicos, como o Programa Universitário de Apoio ao Esporte, a fim de assegurar a possibilidade de prática esportiva nas escolas e estabelecer a instituição de novos núcleos esportivos em regiões de vulnerabilidade social. Deste modo, o esporte, uma vez democrático, garantirá o estímulo aos valores e conceitos que regem e contribuem para o desenvolvimento da cidadania.