Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 07/09/2020
A Constituição Federal, em seu artigo 1º, tem a cidadania como um dos seus fundamentos para a formação do Estado Democrático de Direito. No entanto, observa-se um abismo entre a lei e a realidade, uma vez que o Brasil é marcado pela desigualdade na vivência dos direitos sociais e políticos. Diante dessa realidade, a prática esportiva é uma importante ferramenta para o fortalecimento da cidadania e a superação das desigualdades no País.
Assim, conforme explica a filósofa alemã Hannah Arendt, cidadania é o direito de ter direitos, isto é, a vivência cidadã é o reconhecimento de si e do outro. Sob essa ótica, a prática esportiva, por seus atributos coletivos, como identidade grupal, disciplina e respeito, deve ser usada como uma base na qual crianças e jovens aprenderão sobre direitos e deveres como membros da sociedade.
Ademais, o filme “Mais forte que o mundo” apresenta a biografia do lutador de MMA José Aldo, em que o esporte foi uma ponte para a superação da pobreza na qual o atleta estava inserido. No entanto, precisa-se pontuar que, nessa dimensão da vida social, as oportunidades também são escassas. Assim, os casos de sucesso são raras exceções que apenas confirmam a regra da exclusão social no Brasil.
Portanto, conclui-se que o esporte é um importante instrumento para o desenvolvimento de uma experiência cidadã plena no País. Posto isso, cabe ao Ministério da Cidadania, responsável pelo desenvolvimento social e esportivo, criar, em parceria com governos estaduais, municipais e sociedade civil, centros de integração e formação de atletas de modalidades diversas por meio de verbas provenientes da contribuição pública. Além disso, bolsas de estudos devem ser disponibilizadas para cada uma das crianças e dos jovens em aprendizado profissional, como incentivo e reconhecimento da sua importância como membro da sociedade. Assim, o fundamento constitucional supracitado será de fato uma realidade vivida por todos os brasileiros.