Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 13/09/2020
Um dos grandes legados da civilização grega é a prática de esportes, no entanto, essa atividade era restrita aos grupos dominantes da época, uma vez que escravos, mulheres e estrangeiros não podiam participar das competições. Em contrapartida, a Constituição Brasileira garante o acesso de todos os indivíduos à práticas desportivas, porém, a falta de acesso por uma parcela da população, bem como a carência de incentivos são entraves para a promoção do esporte como uma chave de transformação social.
A princípio, sabe-se que o combate à desigualdade e a má distribuição de recursos é pilar fundamental para a manutenção do equilíbrio social na contemporaneidade. Atualmente, quase 14 milhões de brasileiros vivem em estado de extrema pobreza, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Sendo assim, conforme o conceito de “Cidadania de Papel”, proposto pelo jornalista Gilberto Dimenstein, apesar do percentual supracitado possuir, em termos legais, os mesmo direitos e deveres do restante da população, a cidadania vivenciada por esse grupo torna-se inerte e sem efeito. Dentro desse panorama, o esporte configura como elemento integrador que proporciona o ideal de pertencimento aos grupos preteridos.
Dentro dessa perspectiva, o esporte deve ser visto como facilitador integro de ascensão social. Diante disso, o filme “Um sonho possível”, demonstra como a vida do adolescente Michael muda completamente durante sua adoção por uma família que estimula seu desenvolvimento como ser humano e astro do futebol americano por meio da inclusão esportiva. No entanto, a prática de esporte no Brasil continua defasada pela má estruturação e o foco contínuo no futebol. Esse cenário, portanto, desmotiva os jovens a conhecerem outras atividades esportivas como vôlei, basquete, natação e ginástica, sendo necessário ampliar o debate para levar investimentos às comunidades e escolas. Logo, é de responsabilização do Estado aderir projetos efetivos de inserção da população através do esporte. Sob esse viés, o Ministério da Cidadania deve destinar verbas para centros comunitários com o intuito de criar programas esportivos nas comunidades e periferias, mediante construção de quadras, disponibilização de professores de Educação Física e materiais como bolas, redes e uniformes, a fim de que haja o envolvimento dos indivíduos com a prática esportiva e se enxerguem como cidadãos. Assim, jovens e moradores terão a oportunidade de dignificar suas vidas através do esporte.