Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 14/09/2020
Em 2016, a judoca Rafaela Silva conseguiu ser medalhista nas olimpíadas do Rio de Janeiro. Rafaela, advinda de uma região com fortes índices de marginalização social, contou, posteriormente, à veículos de imprensa, como o esporte ajudou a integrá-la na sociedade quando jovem. Nessa situação, o esporte transcendeu sua função de lazer, funcionou como mantenedor social. Contudo, nem todo jovem brasileiro tem pleno acesso ao esporte, isso acontece pois o governo federal desconsidera seu potencial ao não garantir meios para a prática esportiva a todos nessa faixa etária.
Primeiramente, vale destacar como o esporte pode influenciar a vida de muitos marginalizados. Nas favelas brasileiras, assim como Rafaela Silva, vários esportistas campeões utilizaram o esporte como rota de fuga às imposições de um meio onde a criminalidade, como mostrado por dados do Ministério da Justiça, atinge principalmente jovens. Considerando o contrato social - que diz que as relações coletivas oferecem meios para o indivíduo sobreviver melhor - proposto pelo filósofo iluminista Jean Jacques Rousseau, o esporte, na favela brasileira, atua como forma do jovem se livrar da selvageria da vida em um meio ainda árduo. Logo, nesses lugares, o esporte deixa de ser apenas entretenimento e passa a ter função de estabilizador social.
Entretanto, essa utilização do esporte fica limitada se o adolescente na tiver acesso a ele. Isso acontece com várias pessoas, inclusive nas favelas brasileiras, haja visto os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira que mostram a presença de quadras esportivas em apenas 26,8% das escolas públicas - maioria nas favelas, já que o cidadão dali não tem poder financeiro para arcar com instituições particulares. Dessa forma, além de serem marginalizados quanto à garantia de direitos básicos como educação, saneamento e saúde, o jovem da periferia é impedido de buscar outra forma, a prática esportiva, de exercer sua cidadania.
Portanto, para consolidar o esporte enquanto solidificador da cidadania, é necessário oferecê-lo integralmente. Pode-se obtê-lo tendo a Câmara Federal dos Deputados, por meio do exercimento da legislatura, criando uma lei complementar ao estatuto da criança e do adolescente que garanta o esporte como direito do jovem. Com isso, o estado, por meio da sua função executora, deve garantir os pressupostos da nova lei, construindo, para tal, quadras em todas as escolas públicas do País. Assim, o esporte seria finalmente admitido como mantenedor social, podendo , ainda, oferecer condições para que grandes atletas cidadãos surjam da periferia, como Rafaela Silva.