Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 14/09/2020

Promulgada em 1988, com o intuito de garantir a cidadania do povo, a Constituição Federal do Brasil prevê direito ao bem-estar para todos. Atualmente, esse direito é ameaçado quando se vê a precarização do acesso ao esporte. Tal temática deve ser analisada, principalmente, tangente à falta de incentivos governamentais para as práticas esportivas na classe estudantil.

Primeiramente, vale destacar o esporte como forma de garantir o direito ao bem-estar. Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista, destaca que o estado  só deve existir caso supra as necessidades individuais dos seus cidadãos. Nessa perspectiva, o governo deve oferecer ao brasileiro  tudo aquilo que for exigido pelos habitantes por meio da criação de leis, inclusive o direito ao bem-estar. Logo, assegurar as práticas esportivas – que são uma das formas de oferecer lazer, pois o movimento, presente na maioria dos esportes, libera neurotransmissores que controlam a felicidade – representa a manutenção dos direitos do cidadão e, consequentemente, sua cidadania.

Contudo,  nem todo brasileiro pode gozar plenamente dessas vantagens, pois o que se observa, realmente, é um descaso acerca  da disseminação das práticas esportivas. Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, apenas 26,8 % das instituições de ensino públicas tem quadras esportivas. Dessa maneira, observa-se que é insuficiente o investimento governamental na construção de quadras públicas nas escolas, atrapalhando, por conseguinte, a garantia das benfeitorias das práticas esportivas  para uma parcela significativa da população, a esfera estudantil.

Portanto, nota-se que ainda há entraves para consolidar o direito ao bem-estar, sobretudo quanto à questão esportiva. Para desfazer essa situação, é necessário investimentos, seja estatais, do terceiro setor ou, até mesmo, de iniciativa privada, no esporte, por meio da construção de quadras públicas em escolas, universidades e entornos. Assim, não irá faltar recursos para que o estudante possa exercer sua cidadania via manutenção do direito ao lazer.