Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 17/09/2020
A Declaração dos Direitos Humanos promulgada pela ONU assegura a todo e qualquer indivíduo o direito à cidadania e ao bem-estar social. Nesse sentido, percebe-se a grande importância do esporte como ferramenta de inclusão, interação, disciplina pessoal e um grande transformador social que muda a realidade de muitos jovens, especialmente, aqueles com poder aquisitivo menor. Porém, os principais fatores que impedem a promoção do esporte as comunidades carentes são: falta de verba estatal e desigualdade social.
Em primeiro plano, segundo o sociólogo Émille Durkheim, anomia social é um termo que retrata o estado de caos o qual uma comunidade vivencia. Nessa ótica, a falta de capital governamental destinado a ONGs e outros centros de apoio as pessoas carentes é um fator limitante no desenvolvimento de práticas esportivas nessas comunidades, afinal, existem aglomerados urbanos que não possuem se quer escolas. Além disso, as poucas instituições que ainda existem nas favelas encontram-se em condições precárias, evidenciado pela falta de professores tanto de educação física como de outras disciplinas, salas depredadas, quadras esburacadas e ausência de equipamentos básicos, como bolas e redes.Logo, é nítido que o esporte, junto ao caráter pedagógico é detentor da habilidade de transformar realidades pessoais e formar cidadãos críticos e conscientes, mas sem a ajuda financeira da alta cúpula governamental isso não será possível.
Em segundo plano, é importante frisar que o esporte é considerado um ofício que pode levar a ascensão social de muitos adolescentes como, por exemplo, o jogador brasileiro Romário que veio de uma família pobre da cidade do Rio de Janeiro e conseguiu destaque no futebol, ajudando financeiramente á sua família. Em contrapartida, casos como o citado não acontecem frequentemente, haja vista a desigualdade social existente e a falta de oportunidades que impedem o surgimento de alguns jovens na carreira esportiva. Nesse ínterim, por falta de atividades extraescolares, como treinos de vôlei e futebol, muitos jovens ficam com o seu tempo ocioso, vendo na criminalidade a única saída para se conquistar capital, fortalecendo, assim, o crime organizado no Brasil.
Destarte, cabe às escolas adotarem o modelo de ensino politizador a fim de que , desde a mais tenra idade, as crianças sejam educadas por meio de palestras e aulas de educação física sobre a importância do esporte como ferramenta de inclusão e ascensão social, para que , assim, esses alunos cresçam com o censo crítico apurado, tendo como base a disciplina e o altruísmo que, por sua vez, são qualidades adquiridas no mundo esportivo. Somado a isso, esses alunos aprenderão que o esporte pode ser uma alternativa para conquistar espaço na sociedade, seguido de um plano de carreira.