Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 28/09/2020
Em meados do século XX, o artista plástico Cândido Portinari retratou, na obra “Os Retirantes”, uma família de sai de uma região a outra em busca de melhores condições de vida. Semelhante ao cenário evidenciado pelo autor, muitos brasileiros protagonizam, hodiernamente, uma peregrinação em busca da valorização do esporte no Brasil. As demandas para findar a falta de incentivo nesse meio, no entanto, são deturpadas devido à inobservância governamental e à estratificação social.
A princípio, a negligência do Estado é um fator relevante quando se observam os decrescentes índices de investimentos para o meio esportivo. Nicolau Maquiavel, em “O Príncipe”, afirma que um governante tende a tomar decisões que mantenham a sua posição de liderança. Tendo isso em vista, é esperado que a aplicação de recursos para suprir a falta de subsídio social e financeiro para que os atletas possam continuar suas atividades seja negligenciada em detrimento de pautas mais populistas, que garantem mais votos. Logo, a manutenção do poder de muitos gestores no Brasil ocorre às custas da desvalorização do desporte.
Outrossim, um grupo que é limitado de receber seus direitos plenos de lazer, e até de sustento de vida, representa um retrocesso no desenvolvimento coletivo. Consoante o conceito de “Capital cultural”, de Pierre Bourdieu, determinadas práticas e condições são acessadas majoritariamente por camadas mais elevadas da sociedade, o que contribui para distinção de classes. Dessarte, com a falta de infraestrutura em quadras e materiais esportivos, a oportunidade de crescimento na vida proporcionada pelo esporte fica inacessível à parcela da população mais vulnerável, que não possui condições para tentar crescer nesse meio. Assim, sem conseguir novas oportunidades pelo esporte, muitos brasileiros ficam reféns de sua própria condição, o que impede o progresso social.
Em vista desses fatos, é indubitável que medidas são essenciais para reverter a situação. Primeiramente, cabe ao Governo, por intermédio de projetos, investir em quadras e em contratação de profissionais para treinarem as pessoas mais marginalizadas, para que todos possam ter iguais oportunidades de crescer no esporte. Ademais, cabe aos cidadãos, por meio de manifestações pacíficas em projeto de lei, cobrar e pressionar os governantes a resolverem o impasse, para que todos possam ajudar os que possuem menos voz. Desse modo, será possível que as obras de Portinari não transmitam, ainda hoje, o Brasil do século XX.