Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 15/01/2021

“Se puderes olhar, vê. Se puderes ver, repara.” A máxima do escritor José Saramago norteia o atual cenário brasileiro, uma vez que a capacidade de ampliação da cidadania trazida pelo esporte ainda é pouco explorada. Sendo assim, a colocação de algumas modalidades em segundo plano, além do não reconhecimento do esporte como meio para a ascensão social, tornam-se fatores que contribuem para a não valorização.

Visto isso, a sociedade brasileira investe pouco tempo -ou nenhum- em outras modalidades esportivas. Tendo em vista que o futebol é o esporte mais valorizado do mundo, os meios de comunicação se aproveitam desse impacto gerado pelo esporte, e acabam, de certo modo, investindo apenas na transmissão desses, exemplificado assim, segundo Eduardo Galeano: “No Brasil, esporte é indústria”. Assim sendo, outras modalidades esportivas como o atletismo e a natação, são deixadas em segundo plano, tendo pouca visibilidade e pouca procura por atletas, o que acarreta em uma perda para a cidadania, já que, segundo o Comitê Paralímpico Brasileiro, esses são uns dos esportes mais inclusivos presentes do Brasil.

Ademais, o esporte contribui, não apenas para a saída de jovens da marginalidade, como também, na ascensão social desses. Dado que a visão da sociedade para com o esporte ainda é de um “hobby”, este não é levado tão a sério como uma profissão a ser seguida, desestimulando cada vez mais à atletas que buscam crescer profissionalmente na modalidade escolhida. Entretanto, em uma sociedade em que o título de cidadadão está intimamente ligado ao poder aquisitivo, o engajamento em uma modalidade esportiva com o intuíto de transforma-la em exercício profissional faz-se de grande valia, tornando possível, assim, a exerção da cidadania. Prova disso: Ronaldo fenômeno, saído da favela carioca, encontrado muito cedo por olheiros, e que aos 17 anos já estava disputando uma Copa do Mundo. Demonstrando, dessa maneira, que o esporte e o exercício da cidadania resultam em uma relação mutualística.

Fazem-se necessárias, portanto, medidas capazes de estimular a maior presença da cidadania no esporte brasileiro. Sendo assim, o Minsitério da Cidadania deve disponibilizar verbas, por meio do LOA - Lei Orçamentária Anual, para a criação de centros poliesportivos em locais além dos centros das cidades, estimulando, dessa forma, que todos, inclusive a parcela da população de baixa renda,  tenham o direito de conhecer novas modalidades esportivas. Além disso, ampliar o número de propagandas sobre outras categorias esportivas e como todos os tipos de deficiências podem participar, incentivando a inserção de toda população.