Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 04/11/2020

Na obra pré-modernista “Triste fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista tem como característica marcante a forte idealização de um Brasil utópico. No entanto, ao observar a falta de reconhecimento e valorização do esporte, constata-se que a situação atual está ainda mais distante do imaginado do sonhador personagem. Com efeito, é imprescindível enunciar o aspecto sociocultural e insuficiência legislativa como pilares fundamentais do impasse.

Precipuamente, torna-se evidente a influência do fator sociocultural. Sob tal perspectiva, é oportuno assinalar que, conforme o pensador Émile Durkheim, a sociedade deve ser analisada de maneira crítica e distanciada do senso comum. Nesse sentido, a proposta do sociólogo é aplicada quando se analisa o esporte em questão social, visto que o futebol é valorizado e tem grande peso cultural, entretanto, demais atividades esportivas não são tão requisitadas pela população, mesmo tendo como melhoria a saúde e estimulação do condicionamento mental.

Ademais, é cabível pontuar que a insuficiência legislativa corrobora com a persistência da vicissitude. A esse respeito, a Declaração dos Direitos Humanos, assegura a todos os indivíduos o direito à dignidade e ao bem-estar. Nessa lógica, a conjuntura vigente contrasta o ideal proposto, posto que a desigualdade social está presente e dificulta que as classes menos favorecidas sejam integradas no esporte, sendo prejudicial no desenvolvimento interpessoal.

Dessarte, cabe ao Governo Federal -Poder Executivo no âmbito da União-, direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Cidadania, irá executar um projeto social que abrange todas as classes sociais, com o objetivo de promover o esporte como benefício nacional, sendo de forma gratuita os eventos dinâmicos de todos os esportes, como as interclasses. A localização será nas escolas públicas e realizada durante os finais de semana, a divulgação deve ser em meios televisivos e virtuais. Assim, em longo prazo o impacto será nocivo e comparado à idealização de Policarpo.