Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 29/11/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se que a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à indiferença quanto à questão esportiva. Diante disso, apesar do papel crucial da atividade esportiva nas transformações necessárias para a resolução das questões nacionais (exclusão, preconceito, criminalidade), o governo e a população se mostram negligentes. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação que possui como causas: a insuficiência de leis e a lenta mudança na mentalidade social.

Primeiramente, é preciso saliente que a insuficiência legislativa é uma causa latente do problema. Nesse âmbito, a Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia do direito ao esporte e ao lazer, visto que, espaços esportivos são constantemente abandonados devido à negligência governamental e, consequentemente, restringindo o acesso da população brasileira às práticas esportivas. Assim, com a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a lenta mudança na mentalidade social. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do esporte como profissão é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que muitos brasileiros acreditam que o esporte funciona apenas como lazer, não como carreira. Diante disso, percebe-se que esse estereótipo leva à consolidação do cenário de desigualdade social, política e econômica brasileira, bem como à ameaça à cidadania dos atletas. Desse modo, a exclusão e a falta de reconhecimento aos profissionais do esporte influenciam na persistência do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Torna-se imperativo, portanto, modificar a visão da população a respeito das leis. Isso pode ocorrer por meio de uma ação conjunta do Poder Judiciário com o Ministério da Educação, promovendo palestras e debates em escolas acerca do processo de elaboração e fiscalização das leis no Brasil. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendem o propósito das leis e se tornem mais atuantes na busca de resoluções de problemas como o desrespeito do direito ao esporte e a falta de reconhecimento aos atletas.