Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 20/11/2020
A prática de esportes no Brasil é caracterizada por uma elitização histórica, comprovada pela chegada do futebol, no século XIX, cujos jogadores eram integrantes da elite brasileira e ingleses. Embora privilegie as classes sociais mais altas, o esporte está associado à qualidade de vida, saúde, questões sociais, como a criminalidade e a violência, e, principalmente, ao exercício da cidadania. Sendo assim, é necessário priorizar a valorização e a democratização da prática de exercícios para toda a população, inclusive para aqueles que tendem a ir para o mundo do crime.
Em primeira análise, o exercício físico, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida, relaciona-se diretamente com a cidadania, uma vez que permite maior visibilidade aos praticantes, gerando representatividade das minorias. Exemplo disso foi o ocorrido com a jogadora de vôlei que declarou oposição ao atual presidente em uma partida e também o fato de que os maiores nomes do futebol brasileiro são homens negros ou de descendência africana. Dessa forma, é necessário reconhecer a importância do esporte em questões sociais, como a representatividade, a liberdade de expressão, e também a saúde, visto que a prática de exercícios é benéfica tanto para o físico, quanto para o psicológico, sendo uma grande aliada no tratamento de doenças como a depressão.
Em segunda análise, ser cidadão é praticar os deveres e usufruir dos direitos comuns a todos, mas não é o que acontece na realidade. A parcela mais pobre da população é, muitas vezes, privada de desfrutar daquilo que lhes é garantido constitucionalmente, o que, nesse contexto, significa a falta de estrutura nos bairros e comunidades que são mais violentos, o que, segundo o site do Criança Esperança, 73,2% das escolas públicas não possuem quadra de esportes. Além disso, a elitização de algo que traga visibilidade e possibilidade de destaque para as minorias é o caminho encontrado pela ala conservadora da sociedade para manter os costumes e ideais tradicionais, excluindo negros, LGBTQIA+, pobres e mulheres, tanto que o futebol feminino vem ganhando espaço nos canais de TV há pouquíssimo tempo e, ainda assim, é vitima de comentários machistas.
Portanto, cabe ao Governo Federal investir e incentivar a prática de esportes a fim de formar cidadãos conscientes, com qualidade de vida e bem informados politicamente, de modo que haja a inserção social das minorias, dando visibilidade para que possam representar os grupos menos favorecidos e expressar sua opinião, por meio da disponibilização de opções de esportes para as diferentes idades e gostos e investimento em quadras nas escolas públicas e nas comunidades.