Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 20/11/2020

O filme norte-americano “Invictus” é baseado na ideia de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, em utilizar o Rugby, esporte mais difundido no seu país, como uma ferramenta para diminuir o preconceito e a segregação racial. Fora das telas, mesmo configurando-se como uma importante atividade que gera inclusão e participação social, o esporte não é valorizado da forma que deveria. Com efeito, deve-se analisar como a negligência do Poder Público e a omissão escolar diminuem a valorização do esporte com construtor da cidadania.

É primordial ressaltar que o governo não oferece infraestrutura básica para prática esportiva. A Constituição Federal de 1988 garante a todos os cidadãos, sem distinção, o direito ao esporte e ao lazer, entretanto, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, os direitos dos brasileiros estão restritos à carta magna, uma vez que essas garantias não são colocadas em prática. Nesse contexto, o Poder Público deveria proporcionar infraestrutura para prática de esportes, o que não acontece, visto que as quadras poliesportivas - quando existem - estão sempre em péssimas condições, o que dificulta sua utilização. Nessa realidade, as pessoas acabam distanciando-se do esporte. Logo, para proporcionar inclusão social por meio do desporto, é imprescindível que o governo forneça infraestrutura necessária para realização dessas atividades.

Ademais, o esporte possui capacidade como vetor de mudanças sociais. Porém, não há - pelo menos como deveria – um incentivo das escolas para os alunos praticarem desportes. De acordo com o filósofo Paulo Freire, a escola deveria estimular os diversos tipos de habilidades, entretanto, no Brasil, os institutos preocupam-se apenas em reproduzir conteúdos em detrimento do incentivo a outras atividades. Desse modo, a rede de ensino não potencializa o esporte como agente fomentador da cidadania, pois é através desse que se constrói o respeito pelas regras, pelas diferenças, combate ao preconceito e as descriminações.

Infere-se, portanto, a necessidade da valorização da prática esportiva no Brasil. Nessa perspectiva, é imperiosa uma ação do Estado, juntamente com as escolas, incentivar a prática de esportes, por meio de investimentos em ambientes e materiais apropriados, a fim de proporcionar a inclusão social. Ademais, cabe ao MEC, a alteração do currículo escolar, e a divulgação de campanhas pela mídia com o objetivo de atentar para a necessidade da prática esportiva, desde a infância, com o fito de promover a qualidade de vida da população. Assim, será possível, o esporte e a cidadania desempenharem seus papéis juntos.