Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 19/11/2020

As Nações Unidas, em seu relatório sobre o “Esporte para o Desenvolvimento e a Paz”, de 2003, afirma que o esporte, por sua própria natureza, envolve a participação, a inclusão e a cidadania, na medida em que une indivíduos e comunidades, destaca os aspectos comuns e serve de ponte entre diferenças étnicas e culturais. Nesse sentido, apesar do esporte ser um importante fenômeno social de promoção da cidadania, a falta de incentivo à prática esportiva ainda é um obstáculo a ser vencido na sociedade brasileira.

Primeiramente, é importante ponderar sobre a nítida desigualdade de gênero no esporte. Em comparação às masculinas, as modalidades femininas recebem investimentos e visibilidade significativamente inferiores. Além disso, os salários das atletas, que quase sempre desempenham o mesmo papel que os homens, são muito mais baixos. Essa realidade corrobora o pensamento da filósofa Simone de Beauvoir, que afirma que a humanidade é masculina.

Toda a via, é errôneo acreditar que o Poder Público trabalha ativamente para promover a prática esportiva no país. No fim do ano de 2018 a controversa decisão de extinguir o Ministério do Esporte veio acompanhada de inúmeras críticas, contudo, o sucateamento do esporte no país não é algo inédito, sendo que, de acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), apenas 30% das unidades públicas básicas de ensino possuem um espaço destinado à prática de educação física. Com efeito, é inaceitável que, mesmo sob a alcunha de ser “o país do futebol”, o esporte no Brasil não seja devidamente valorizado.

Portanto, é essencial que o Ministério do Esporte interceda a favor das modalidades femininas, por meio de um maior investimento em especialização e equipamentos e da equiparação dos salários das atletas aos masculinos. Logo, seria notória uma maior inclusão das mulheres no mundo esportivo e um consequente aumento de sua cidadania. Ademais, o Ministério da Educação e da Cultura deve incentivar a prática de esportes nas escolas, mediante construções de áreas esportivas de qualidade. Assim, a recorrência à ilegalidade diminuiria drasticamente.