Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 20/11/2020
Desde 1894 – quando houve a inserção do futebol no Brasil por Charles Miller –, percebe-se a intrínseca relação entre esporte e cidadania, visto que a prática desse era restrita às camadas sociais privilegiadas e, portanto, politicamente ativas. Analogamente, no presente, essa situação dá-se de forma quase inalterada e não há, na realidade de grande parte dos cidadãos, condições ideais para a execução dos treinos. Sob essa perspectiva, cabe ponderar tanto acerca do ainda persistente elitismo nessa esfera quanto acerca da falta de infraestrutura para a realização corriqueira dessas atividades.
A princípio, urge apontar a concentração da prática esportiva na elite. Analogamente à situação vista desde a década de 90, na Grécia Antiga (onde surgiram os Jogos Olímpicos), um atleta deveria possuir um certo status, sendo vetada a participação a, por exemplo, mulheres. À vista disso, trazendo para o contexto brasileiro atual, nota-se que essa concepção ainda se mantem, dada a extrema falta de incentivo e apoio à população feminina. Ao passo que os grupos masculinos possuem patrocínios diversos, os femininos sofrem pela falta deles. Logo, se nada mudar nesse sistema, a prática equitária nos esportes não será alcançada.
Outrossim, convém ressaltar a incompetência governamental no que tange ao cumprimento da Constituição. Conforme a Carta Magna, “é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais”. Diante disso, nota-se que não é o que ocorre, de fato, vista a ausência de, por exemplo, ciclovias nas cidades brasileiras, corroborando para a dificuldade da prática cotidiana dos esportes e, até mesmo influenciando a cidadania de forma direta, afinal impossibilita uma forma de locomoção. Então, percebe-se que isso impede pequenas atitudes diárias que cooperam tanto para a manutenção cidadã quanto para a saúde dos habitantes.
Portanto, é preciso intervir reduzindo ambas problemáticas. Para tanto, é inadiável que o Ministério da Educação e Cultura, crie, por intermédio de verbas governamentais, oficinas educativas sobre a importância das práticas desportivas e sobre a relação delas e da cidadania. Isso deve ser feito nas escolas (instituições responsáveis pela criticidade do pensamento) com o fito de informar, desde a mocidade, o problema da carência de infraestrutura e fornecer uma Educação Física competente – extremamente necessária para romper com os preceitos elitistas e permitir que os futuros cidadãos possam cobrar, do Governo, a garantia de seus direitos.