Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 19/11/2020

O filme norte-americano “Invictus” é baseado na ideia de Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, em utilizar o Rugby, esporte mais difundido no seu país, como uma ferramenta para diminuir o preconceito e a segregação racial. Fora das telas, o esporte realmente possui um excelente potencial para melhorias na sociedade, como a diminuição da violência, entretanto as péssimas condições estruturais esportivas das escolas, diminuem tal potencial. Diante dessa perspectiva, torna-se necessário o debate sobre o tema.

Convém ressaltar, primeiramente, a teoria do “Fato Social” do filósofo Émilie Durkheim, que consiste em maneiras de agir, de pensar e de sentir que exercem determinada força sobre os indivíduos, obrigando-os a se adaptar às regras da sociedade onde vivem. Desse modo, pode-se analisar a capacidade do esporte como vetor de mudanças sociais, examinando-se valores sociais, como a disciplina e o respeito, propagados no esporte. O coordenador do escritório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) no Brasil, Pedro Lessa, afirmou que onde existem programas de apoio ao esporte para crianças e adolescentes há uma queda anual de 30% nos índices de criminalidade.

Cabe analisar, também, a atual situação do esporte nas escolas do país. Dada a supracitada importância esportiva como veículo de melhorias na sociedade, seria sensato pensar que o Brasil investisse corretamente nesse setor nas escolas. No entanto, essa não é a realidade e o que é oferecido para os jovens é uma precária infraestrutura esportiva na maioria dos centros de ensino do país. Isso pode ser comprovado por pesquisas, como o Censo Escolar realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), em 2016, no qual revelou-se que cerca de 65% das escolas públicas não possuem quadra de esporte.

Fica claro, portanto, a necessidade da tomada de medidas que possam resolver essa problemática. Nesse sentido, o Governo deve reestruturar os centros esportivos nas escolas do país. Isso pode ser feito por meio da criação de novas quadras nas escolas que não possuírem, como, também, por meio da reforma das existentes. Além disso o Governo deve criar campanhas nas mídias sociais, em parceria com clubes esportivos, para levar um maior número de crianças a praticar diversas modalidades, como o futebol e atletismo. Espera-se que com essa medida, o esporte possa desempenhar seu papel como vetor de mudanças sociais, em sua totalidade.