Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 05/12/2020
Desde as antigas civilizações europeias o esporte é objeto de integração e interação social. Apesar de as camadas oprimidas não serem autorizadas a participar, as olipíadas na Grécia antiga funcionavam como trégua nos conflitos entre cidades-Estado. Atualmente, as parcelas desprivilegiadas da sociedade podem usar as práticas esportivas como fuga do mundo da violência, além de aproximar os extremos das realidades econômicas brasileiras.
Em primeira análise, como citado no livro “Olhos D’Água” de Conceição Evaristo, o esporte servia de refúgio para os meninos das periferias do Rio de Janeiro, os mantendo afastados do crime. Dessa forma, essas crianças encontravam segurança e educação em meio a um ambiente de tiroteios e assassinatos. Logo, podiam quebrar o ciclo da criminalização que era esperado pela sua família. Como exemplo disso, a grande quantidade de jogadores brasileiros nascidos em periferias, que como na música do grupo de rap 509-E, “Olha o Menino”, para não reprisar a vida de pessoas criminosas, sonhavam em serem jogadores de futebol para sustentar sua família.
Em segundo plano, o esporte pode aproximar as realidades de diferentes classes socias. Desse modo, como o educador Paulo Freire cita, “aprende-se mais com as diferenças do que com as semelhanças” e, como no livro de Conceição, os meninos da periferia que se encontravam com os ricos no centro esportivo, se sentiam mais iguais, menos marginalizados. Portanto, a integração entre pessoas durante as práticas esportivas traz aprendizados e minimiza preconceitos acerca das condições socioeconômicas dos indivíduos, o que diminui a barreira construída pela diferença monetária.
Por fim, o esporte tem papel de fazer os cidadãos se sentirem parte da sociedade, independentemente das suas condições, semelhanças ou diferenças. Dessa forma, o Ministério da Cidadania, junto os governos municipais, deve investir em criação de centros esportivos nas cidades, a fim de afastar as crianças moradoras das favelas do crime, e aproximá-las de realidades distintas às suas, através da construção de quadras, ginásios com diferentes modalidades, para atender diferentes gostos. Consequentemente, os conflitos entre classes, a marginalização e as desigualdades perdem espaço.