Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 13/12/2020
Não é só pela diversão
Oriundos do período histórico conhecido como Idade Antiga, os Jogos Olímpicos eram, na Grécia, instrumento de segregação social e econômica, uma vez que a participação tinha caráter censitário à medida em que privava mais de 90% da população grega dessa forma de lazer. Não distante da realidade vivida há milênios atrás, na contemporaneidade a falta de locais que disponibilizem gratuitamente variadas formas da prática de exercícios físicos e a quase ausência de investimentos governamentais nos centros públicos de ensino se configuram como empecilhos para a concretização do acesso ao esporte como forma de cidadania no Brasil.
A priori, cabe trazer à tona o conceito de contratualismo social desenvolvido por Thomas Hobbes. Nele, o sociólogo explica que numa sociedade moderna há uma cessão da liberdade individual pelo povo em função de um Estado que governe por todos, sem distinção . Porém, o que se observa é uma distribuição ímpar dos centros poliesportivos pelo território nacional, gerando uma espécie de ‘‘periferiarização’’ do lazer que priva, principalmente a população mais pobre, do acesso aos direitos (que deveriam ser) garantidos por tal Contrato.
A posteriori, é importante citar o pensamento do filósofo Pitágoras sobre a educação: ‘’ensinai as crianças e não será necessário punir os homens’’. Nesse sentido, é lógico concluir que o conhecimento (teórico e prático) sobre esporte desenvolvido nas escolas desempenha papel fundamental na formação individual, e por isso merece atenção estatal.
Dessa forma, torna-se necessário que o Governo, em associação com empresas privadas (grandes detentoras do acesso ao lazer) e por meio de investimentos no Ministério da Educação e no Ministério do Esporte disponibilize centros poliesportivos públicos em pequenas cidades, bairros marginalizados e escolas. Isso a fim de tornar prático e periódico o contato populacional a esse importante meio de prática cultural.