Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 27/12/2020
Durante Estado Novo, a prática do futebol feminino foi proibida pela ditadura varguista, pois era vista como uma atividade desmoralizante para a mulher. Percebe-se, então, que essa atitude governamental cerceava o direito à cidadania desse grupo, haja vista que essa modalidade era amplamente difundida no país e, teoricamente, deveria ser permitida a qualquer pessoa. Nesse contexto, observa-se que o esporte representa uma prática que promove a inserção do indivíduo na sociedade. Assim, verifica-se que a promoção do desporto voltada para os grupos socialmente excluídos, como deficientes físicos e pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, é fundamental para torná-los, efetivamente, cidadãos.
A priori, é importante destacar como o esporte pode atingir positivamente as pessoas com deficiência física. Em 1948, a prática desportiva foi introduzida como mecanismo de reabilitação e reinserção social dos combatentes da Segunda Guerra Mundial que sofreram traumas físicos durante o conflito, o que originou os Jogos Paraolímpicos. Diante desse cenário, vê-se que essa ação foi essencial para a integrar os indivíduos, outrora excluídos, à sociedade. Nesse sentido, ao considerar o contexto nacional, em que cerca de 15 milhões se enquadram como deficientes físicos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nota-se que o incentivo ao esporte é uma medida fundamental na elevação desse grupo à condição de cidadão.
Ademais, verifica-se que o desporto pode ser benéfico para membros de comunidades carentes. É sabido que o tráfico de drogas é uma atividade comumente exercida em locais de maior vulnerabilidade social e, devido ao seu poder coercitivo, pode atrair crianças e jovens. Nesse sentido, a prática desportiva surge como alternativa à esse empreedimento criminoso, pois amplia o horizonte de oportunidades a serem assimiladas por esses indivíduos, conforme destaca o Projeto Esporte e Cidadania para Todos, do extinto Ministério do Esporte. Diante desse panorama, entende-se que a implementação do exercício esportivo em comunidades socialmente frágeis é uma solução viável para promover a inserção social e afastar os moradores desses locais da criminalidade.
Portanto, com o intuito de proporcionar a integração comunitária de grupos socialmente excluídos por meio do esporte, é dever do Ministério da Cidadania aumentar o número de projetos desportivos no país. Assim, por meio de captação de recursos de empresas privadas - em troca de abatimento no imposto -, esse órgão federal deve criar centros esportivos em comunidades carentes e nas Associações de Pais e Amigos Excepcionais (APAEs). Desse modo, o desporto permitirá que um maior número de pessoas possam desfrutar dos seus direitos de cidadãos.