Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 27/12/2020
Na obra " Brasil: uma biografia “, as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam ao leitor as idiossincrasias da sociedade brasileira. Dentre elas, destaca-se a difícil e tortuosa construção da cidadania. Tal fato é evidenciado nas dificuldades enfrentadas no esporte, tendo em vista que, apesar dos brasileiros possuírem o acesso à dignidade e bem-estar como direito constitucional, a lenta mudança da mentalidade social, associada à inoperância governamental, faz com que a cidadania não seja gozada por todos de maneira plena.
Em primeiro plano, convém analisar a importância do esporte para a sociedade. De acordo com o filósofo John Locke, em sua " Teoria da Tábula Rasa “, retrata que os indivíduos são preenchidos por experiências positivas e negativas que afetam todo o seu desenvolvimento. Sob esse viés, a atividade desportiva é um mecanismo de afirmação de identidade, de dignidade e de autoestima. Um dos melhores exemplos disso é o evento dos jogos Paraolímpicos, no qual pessoas com deficiências, físicas ou mentais, podem competir e, consequentemente, representar o seu grupo social e retirá-los um pouco da margem em que a sociedade os coloca: como inválidos e aberrações humanas. Logo, uma mudança nos valores da sociedade é essencial para resolver o impasse.
Outrossim, vale salientar a negligência das autoridades na resolução desse problema. Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, em sua obra " O Cidadão de Papel “, nem sempre as leis presentes nos documentos oficiais nacionais são cumpridas, o que desencadeia uma realidade em que os indivíduos são reconhecidos e amparados pelo Estado apenas no papel. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Gestão do Esporte, cerca de 80% das verbas direcionadas à área são divididas conforme interesses eleitoreiros. Com isso, há uma distribuição desigual do dinheiro e a necessidade de cada região não é atendida de forma eficaz. Por isso, muitas escolas públicas, por exemplo, não possuem infraestruturas, como campos e quadras adequadas, tal qual equipamentos suficientes. Dessa forma, alunos não são estimulados e não têm a oportunidade de explorar as suas habilidades.
Em suma, medidas são necessárias para atenuar a problemática supracitada. Para tanto, cabe ao Governo federal, mediante subsídios tributários, construir quadras poliesportivas, com projetos extraescolares, em escolas e comunidades carentes. Com essa ação, as crianças beneficiadas teriam foco em atividades produtivas, a fim de aumentar sua coloboração para a cidadania. Além disso, cabe às Organizações Não Governamentais (ONGs), atuarem na distribuição de cartilhas que advertam sobre a importância do incentivo ao desporte, com o objetivo de universalizar a prática. Desse modo, a construção da cidadania será facilitada e os princípios da Magna Carta efetivados.