Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 28/12/2020
Com o início das Olimpíadas, ocorrido na Grécia Antiga, foi possível destacar a importância do esporte para a humanidade. Naquela ocasião, o evento proporcionou um progresso ao colocar os cidadãos em nível de igualdade, além de ser um meio de aquisição de cultura e ascensão socioeconômica. Passados vários séculos, a prática esportiva continua sendo relevante. No Brasil, assim como nas civilizações da antiguidade, ela é um meio de garantia da cidadania. Todavia, a atividade não faz parte do cotidiano de toda a população brasileira e, por isso, causa maior exclusão e segregação no país. Nesse quesito, surgem grupos à margem da sociedade. Tal problemática persiste por raízes ideológicas e sociais.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o preconceito é uma das principais causas dessa situação. Isso decorre do fato de que, ao considerarem-se melhores que as outras, muitas pessoas se tornam aversas ao diferente. Nesse âmbito, de acordo com Thommas Hobbes, o homem é o lobo do homem, ou seja, ele é uma ameaça à própria espécie por causa de sua natureza má e egoísta. Dessa maneira, o indivíduo que pensa somente em si mesmo e tem intolerância contra os demais não só os maltrata, como também não luta por novas oportunidades e pela inclusão social de terceiros. Assim, grupos minoritários que sem condições ou apoio suficientes não conseguem praticar esportes.
Além disso, outro fator a ser analisado é a falta de recursos no país. Nesse contexto, há ausência de campos de jogo, materiais propícios, a exemplo de bolas, cestas e raquetes, e profissionais qualificados para ensinar. Por conseguinte, estratos sociais que são suprimidos ou não possuem capacidade financeira suficiente, como aqueles formados por pobres, deficientes e negros, são cada vez mais segregados e não têm acesso à prática esportiva. Nesse viés, segundo dados no Inep, cerca de três quartos das escolas públicas para o ensino fundamental carecem de quadras poliesportivas. Tal informação comprova o prejuízo sofrido pelos cidadãos marginalizados.
Observa-se, portanto, que as razões de ordem ideológica e social dificultam o estabelecimento do esporte como via para a cidadania. Portanto, é papel da mídia incentivar o respeito ao diferente, para que todas as pessoas sejam aceitas na sociedade. Isso deve ser feito por meio de propagandas e filmes que mostrem a diversidade como algo natural que deve ser aceito, fazendo essa ideia entrar no imaginário popular. Para mais, é necessário que o governo, no papel do Ministério da Cidadania, crie medidas de inclusão, por intermédio da construção de quadras públicas e da disponibilização de materiais e professores da área, a fim de que o acesso ao esporte ocorra sem excessão. Com essas medidas, será possível fazer das atividades esportivas algo acessível que gere diversão e inclusão.