Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 30/12/2020
De acordo com o Artigo 1º da Constituição Federal de 1988, todos têm direito à cidadania. Entretanto, esse princípio não é exercido em sua totalidade, haja vista à falta do esporte para garantir a visiabilidade social dos grupos marginalizados, bem como o preconceito presente nesse meio. Por isso, medidas atitudinais são necessárias para reverter o cenário atual e garantir a cidadania brasileira.
De início, é válido ressaltar que o preconceito presente, principalmente, no futebol acaba inibindo a integração social, função principal do esporte, em relação à cidadania. Nessa perspectiva, o ex- presidente da África do Sul, Nelson Mandela, em 1995, decidiu sediar a Copa do Mundo de Rúgbi e promoveu a união social dentro dos estádios, onde brancos e negros ficaram de um mesmo lado com objetivos iguais. Nesse viés, percebe-se que mesmo depois de décadas, aubstancial parcela dos cidadãos, atualmente, são incapazes de reproduzir o ideal proposto por Nelson. Isso acontece devido à falta de empatia na sociedade, pois no lugar de descontruir o racismo, formentam ainda mais a injúria racial no esporte. Com isso, as arenas se tornam ambientes hóstis e sem uma das importantes funções do desporte: a garantia da cidadania e a interação social.
Ademais, é válido saliente que ambientes sem infraestruturas, como favelas, interfere na garantia dos direitos do cidadão. Nesse sentido, de acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, em sua tese “Invisibilidade Social”, alguns grupos são intencionalmente excluídos e ficam vulneráveis à criminalidade. Sob tal ótica, nota-se que tál lógica se encaixa no assunto em questão, uma vez que a falta de recursos como o esporte, ferramenta essencial para novas perspectivas sobre o futuro, influi nas escolhas de vida dos indivíduos, o que muitas das vezes prevalece o caminho de atitudes ilegais. Isso ocorre por causa do desmazelo dos agentes governamentais que não investem no desporte em locais marginalizados, o que dificulta nas condições da população.
Destarte, é necessária uma cooperação mútua entre Estado e sociedade. Para que isso ocorra, cabe ao Governo, como principal agente mantenedor dos direitos mínimos, proporcionar melhorias nas áreas marginalizadas, por meio de investimentos no esporte nesses locais, a fim de proporcionar a visiabilidade social desses grupos. Por fim, compete à sociedade, por intermédio das mídias, já que são as ferramentas digitais de maior alcance na contemporaneidade, discutir a importância da desconstrução do preconceito, principalmente no desporte, que é um meio de integração social, com o intuito de proporcionar o conhecimento das pessoas sobre essa prática. Assim, o direito previsto no texto constitucional será aplicado de forma consistente.