Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 11/01/2021
Na Roma Antiga, no século IX a.C., o poeta Juvenal reiterou que o cuidado com o corpo é sinônimo de uma mente saudável, além de equilibrada e, com isso, há a promoção da cidadania. Contudo, tal afirmação não vigora na realidade brasileira, posto que a prática esportiva se encontra deteriorada. Essa conjuntura nociva ocorre não só devido à omissão do poder público, mas também em razão da imperativa desigualdade social.
Em primeira análise,é irrefutável a ineficiência das autoridades em promover o hábito esportivo no corpo civil, prova disso é que, segundo o portal Agência Brasil, em 2018, a escassez de locais apropriados para atividades físicas é o principal motivo pelo qual 6 a cada 10 brasileiros não se exercitam. Entretanto, a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, estabelece o esporte como um direito humano fundamental, o qual estimula o desenvolvimento físico, cognitivo e social. Isso posto, é evidente que o governo, ao indisponibilizar a infraestrutura necessária à realização de exercícios corporais, atua como agente perpetuador de mazelas que desgastam a qualidade de vida, a saber, o sedentarismo, a obesidade e o estresse.
Ademais, é contundente o efeito da assimetria econômica na obtenção de insumos que permitam a rotina física. Sobre isso, consoante ao jornal Folha de São Paulo, em 2020, o investimento municipal em estruturas desportivas para complexos habitacionais é ínfimo se comparado ao capital destinado aos bairros nobres. Nessa lógica, segundo o sociólogo Octávio Ianni, em sua obra intitulada Metamorfoses do Escravo, a passagem da sociedade brasileira colonial para a livre foi realizada sob o controle da elite, a qual tem reinventado mecanismos de exclusão que garantem sua supremacia, em detrimento das minorias. Logo, fica claro que a inviabilização do esporte nas camadas carentes é reflexo do domínio dos mais favorecidos política e financeiramente, e, assim, perpetua a exclusão social e a desigualdade.
Verifica-se, portanto, a necessidade de ampliação da prerrogativa supracitada. Para isso, enfatiza-se que a Secretaria Especial do Esporte, por meio de sólidos investimentos, invista tanto na construção quanto na manutenção de áreas propícias para atividades corporais - como academias da cidade e quadras poliesportivas - seja em comunidades, seja em bairros populares, com o objetivo de viabilizar tais práticas em todas as classes sociais. Dessa maneira, haverá a inclusão social desejada, assim como a efetivação do ordenamento jurídico nacional.