Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 13/01/2021

Na série norte americana “O gambito da rainha”, Beth Harmon, personagem principal, após ser direcionada a um orfanato na infância, tem sua vida transformada ao descobrir sua enorme habilidade em um esporte, o xadrez. A prática esportiva é uma ferramenta essencial que possibilita o exercício da cidadania e, muitas vezes, proporciona representatividade à minorias. Sob essa perspectiva, nota-se que apesar de avanços terem ocorrido no que se refere a adesão dos esportes na vida da população e a maior visibilidade de problemas sociais por meio da prática muito ainda se tem a avançar quanto aos incentivos governamentais.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que ao longo da história, graças à diversas modalidades esportivas houve reconhecimento de classes socialmente desprivilegiadas. Assim, os jogos de Berlim, em 1936, após a vitória de um corredor norte americano negro, colocou em xeque o racismo evidenciado a época por representantes das nações europeias. Além disso, a Copa do Mundo de Futebol Feminino, em 2019, trouxe às mulheres espaço no futebol mundial. Essas manifestações demonstram que os esportes são ferramentas de inclusão social e quebra de paradigmas e podem proporcionar o exercício da cidadania por meio do reconhecimento e da representatividade que esses grupos obtém. No entanto, no Brasil, não existem esforços governamentais suficientes que reforçem tal importância.

Dessa maneira, convém ressaltar que a prática esportiva ainda não faz parte da vida da população brasileira de forma homogênea e tal fato dificulta o acesso aos benefícios físicos e sociais do esporte. Sendo assim, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2015, mais de 60% da população brasileira não pratica nenhuma atividade física com regularidade e esse número aumenta se considerada à classe social do indivíduo ou seu gênero. Assim, os esportes não alcançam de forma plena, por exemplo, pessoas residentes em periferias seja pela falta de materiais, infraestrutura ou incentivo e com isso, tira a chance de muitos se desenvolverem pessoal e socialmente.

Portanto, percebe-se que o esporte e a cidadania caminham juntos na consquista de benefícios e necessitam ser estimulados. Para isso, cabe ao Ministério do Esporte construir centros comunitários de esporte e que estes contem com a presença de um profissional da educação física que oriente e acompanhe os interessados nas práticas a serem desenvolvidas. Além disso, o mesmo ministério deve, por meio da televisão e das redes sociais, divulgar as atividades desses centros esportivos comunitários de forma a incitar a participação popular. Tais medidas visam democratizar o acesso aos esportes a fim de incluir os menos favorecidos e trazer oportunidades a quem precisa.