Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 12/01/2021
A constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito ao lazer como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa o acesso ao esporte na sociedade brasileira, dificultando, deste modo, a universalização da cidadania. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a dificuldade no acesso ao esporte. Nesse sentido, a falta de democratização no esporte já vem desde o início dos clubes brasileiros de futebol, em que apenas a elite branca podia participar, construindo dessa forma, um meio preconceituoso e de difícil acesso para as pessoas mais pobres. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o lazer e a cidadania, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais,é fundamental apontar a falta de estrutura nas escolas públicas como impulsionador do difícil acesso ao esporte no Brasil. Segundo o Inep, cerca de 73% das escolas públicas de ensino fundamental não tem quadra de esportes. Diante de tal exposto é perceptível a dificuldade que os jovens do ensino público tem em ingressar no meio esportivo. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Estado, por intermédio do Ministério da Educação e do Ministério do Esporte, promovam a construção de quadras em escolas públicas que contem com a estrutura necessária para incluir os estudantes no esporte a fim de tornar o lazer mais democrático. Assim, se consolidará uma sociedade mais justa, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.