Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 12/01/2021
A obra “O Grito”, do artista Edward Much, evidencia um ser que aparenta sentir pânico e desconforto diante do desconhecido. Essa ilustração vai de encontro à ausência de reflexão diante da elitização do esporte, visto que, ao contrário do personagem, a sociedade não se assusta com a negação do direito cidadão ao esporte à alguns indivíduos. Nesse sentido é evidente que esse panorama tem como origem a escassez de medidas governamentais acerca da questão. Assim, a falta de políticas públicas, bem como o descaso social agravam essa situação.
Vale destacar, a princípio, que a falta de politicas públicas é a causa notória da questão. Nessa perspectiva, Abraham Lincoln, célebre político americano, disse que a politica existe para servir à nação e não o contrário. Contudo, em relação ao acesso ao esporte por todos, essa afirmação de Lincoln não se faz presente, uma vez que o Poder Público não serve o povo com ações, metas e planos que solucionem entraves, como o pequeno número de campos desportivos em instituições públicas, bem como o falho incentivo à permanência no mundo esportivo de indivíduos socialmente marginalizados. Assim sendo, sem uma politica comprometida, a alteração dessa realidade é praticamente utópica.
Além disso, é imprescindível destacar o “Liquidismo Baumoniano” visivelmente presente na atualidade. Nessa perspectiva para o filósofo polonês Zigmunt Bauman, vive-se em uma sociedade individualista, a qual não se importa com os relacionamentos interpessoais ou problemas alheios. Sendo assim, as vitimas desse flagelo social, fruto da apatia humana, desistem dos sonhos, os quais estão presentes desde a infância, de serem grandes esportistas, uma vez que o meio social não apresenta condições de realizar esses desejos. Isso prova o descaso pessoal com os outros indivíduos e com as suas aspirações. Vê-se, dessa maneira, a importância de mudanças na perspectiva social.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar esse entrave. Logo, o Ministério da Educação, governo responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação, por meio de uma parceria com as prefeituras, deve promover a compra de materiais necessários para a realização de jogos nas instituições públicas. Essa ação deve ser desenvolvida principalmente nas localidades periféricas e interioranas, com o fito de atingir grande parte da população carente do Estado e trazer mais oportunidades aos cidadãos que anseiam pela prática de esportes. Ademais, aos indivíduos cabe o dever de colaborar com atletas iniciantes, seja por meio de patrocínio, seja por meio de incentivos orais, a fim de fazer com que esses esportistas sintam-se encorajados a continuar na prática de esportes. À vista disso, a cidadania brasileira será garantida.