Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 13/01/2021
Luiz Bolognesi, em seu filme “Uma História de Amor e Fúria”, apresenta um panorama acerca do futuro distópico do Brasil, marcado pelos altos índices de violência, opressão social e retrocesso dos direitos humanos. Fora da ficção, o cenário atual nacional converge ao previamente apresentado, uma vez que a desarticulação entre o esporte e a cidadania representa um entrave ao desenvolvimento social. Nesse sentido, é indispensável considerar a ausência de ações governamentais e a alienação populacional como os fatores responsáveis pela permanência do problema. Evidencia-se, portanto, que medidas são vitais para a resolução dessa óbice.
Sob esse viés, é válido ressaltar que a postura governamental impulsiona diretamente a manutenção do impasse. De acordo com o psicanalista Erik Erikson, qualquer indivíduo social precisa de ferramentas educativas e culturais para o seu desenvolvimento intelectual e cognitivo. Diante disso, políticas públicas carentes em promover o esporte como instrumento de cidadania vão de encontro com a teoria defendida pelo autor, como por exemplo, as condições das escolas públicas brasileiras, as quais apenas 26,8% apresentam quadras poliesportivas nos colégios de primeiro ao nono ano do ensino fundamental, de acordo com o Inep. Com isso, uma mudança nas ações políticas é essencial para a resolução desse impasse.
Além disso, é imperativo ressaltar que a degradação do esporte como veículo da cidadania surge em função da “cegueira branca”. José Saramago, faz uso do termo anteriormente citado para denunciar as mazelas sociais advindas da ignorância individual. À vista disso, a visão do escritor está intrinsicamente correlacionada à alienação populacional, na qual os cidadãos se ausentam das questões sociais que prejudicam o processo nacional e colaboram para o retrocesso social, desconsiderando as necessidades contemporâneas, como a ascensão da cidadania a partir do esporte. Dessa forma, é visível que a reformulação da postura social é vital para a mitigação dessa problemática.
Diante dos fatos supracitados, medidas são imprescindíveis para a promoção da cidadania vinculado ao esporte. Com isso, cabe ao Poder Legislativo, na figura da Frente Parlamentar dos Direitos Humanos (associação suprapartidária), pressionar o próprio Poder Legislativo por meio de protestos e petições sociais a fim de não somente viabilizarem a construção de projetos que impulsionem a construção de infraestruturas esportivas em escolas e áreas públicas, como também criarem planos estratégicos que desenvolvam o engajamento social. Apenas dessa maneira, a realidade brasileira irá se distanciar da distopia cinematográfica.