Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 14/01/2021
A Constituição Federal de 1988 configura como direito de todos o acesso ao esporte e ao lazer. No entanto, percebe-se uma fenda na diretriz, visto que o esporte, importante elemento de fortalecimento da cidadania, não se faz presente no cotidiano de boa parte da população. Tal cenário ocorre não só em razão do deficitário incentivo escolar a essa esfera recreativa, como também devido à precária preocupação governamental em atender às demandas societárias. Logo, faz-se necessário analisar as causas corporativas, para que haja uma reversão do quadro.
Deve-se destacar, primeiramente, que o esporte pode ser compreendido, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, como um fato social, uma vez que é capaz de moldar o modo de agir e pensar dos indivíduos. Contudo, a situação é pouco observada na sociedade brasileira, já que o acesso a atividades físicas se encontra pouco ampliado. Esse panorama acontece porque a maioria das instituições educacionais do país prezam, geralmente, apenas pela transmissão de conteúdos técnicos, os quais não estimulam as habilidades socioculturais dos alunos. Dessa maneira, em virtude da escassa prática de exercícios dinâmicos, alguns valores morais, como a socialização, disciplina e trabalho em equipe, não são incorporados pela população.
Ademais, é imprescindível salientar que a negligência estatal representa um empecilho na manutenção da problemática. Acerca disso, o jornalista brasileiro Gilberto Dimentein, em seu livro “O Cidadão de Papel”, elabora uma crítica sobre a Constituição de 1988, ao afirmar que, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de maneira geral, ao plano teórico. Essa ideia vai ao encontro da atual conjuntura nacional, na qual há o baixo investimento do governo em políticas públicas capazes de proporcionar um melhor desenvolvimento social. Tal proposição pode ser compreendida, por exemplo, em virtude da escassa criação de projetos desportivos, os quais contribuem para a disseminação de ideais cidadãs entre os indivíduos.
Tendo em vista o que foi analisado, portanto, cabe às escolas, entidades essenciais no desenvolvimento do intelecto humano, instruir os alunos acerca da importância da prática de exercícios físicos, por meio da implementação de um horário destinado ao lazer, a fim de intensificar a interação social. Além disso, é dever do Ministério da Cidadania, enquanto regente de programas culturais, investir em feiras de entretenimento nas comunidades, por intermédio de incentivos fiscais, os quais visem a organização de ações esportivas, para que os princípios éticos, fornecidos por esse âmbito, sejam agregados aos cidadãos. Assim, será possível a construção de uma pátria permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.