Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 28/06/2021

Stefan Zweig escreveu, em 1945, o livro “Brasil, um país de futuro”. Entretanto, a pátria apresenta-se muito longe de corresponder a tal imagem, uma vez que a cidadania de muitos brasileiros, especialmente dos mais pobres, não está sendo respeitada. Nesse contexto, o esporte é um eficiente meio para estabelecer tais prerrogativas, contudo, a ineficiência estatal, além do  pensamento retrógrado da população acabam dificultando, ainda mais, a questão.

Diante disso, é importante destacar a inércia dos administradores públicos como o principal acentuador do problema. Sob esse viés, é válido trazer o discurso do filósofo e sociólogo Zygmunt Bauman, criador do conceito “Instituições Zumbi”, no qual afirma que o Estado e a escola não cumprem com seus papéis sociais. Nesse sentido, o governo é falho ao não oferecer os totais direitos de um cidadão, como, por exemplo, o fato de que, consoante levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistíca -IBGE-, apenas 4,7% dos bairros possuem áreas para a prática de exercícios físicos. Por conseguinte, a população, principalmente os mais novos, ficam expostos ao recrutamento ao mundo do crime, visto que, sem o esporte, a cidadania não é devidamente exercida e, assim, valores como a ética e o respeito não são desenvolvidos. Logo, observa-se a necessidade de proporcionar locais para o lazer das pessoas.

De modo complementar, outro impasse é a permanência do pensamento retrógrado da sociedade. De acordo com o sociólogo Emile Durkheim, o fato social figura como uma maneira coletiva de agir e pensar. Sob tal ótica, a teoria do pensador é observada no atual contexto brasileiro. Nessa lógica, uma geração, ao crescer em uma sociedade  que não lutar por seus direitos, tende a internalizar essa realidade como permanente, aceitável e cotidiana. Perpetua-se, então, a banalização social como outro entrave para a solução do oferecimento de cidadania.

É necessário, portanto, ações em duas principais esferas, na estagnação do Estado e na mentalidade da população. Destarte, as Prefeituras Municipais de cada cidade brasileira, por meio de maiores investimentos, devem construir espaços reservados para a execução de atividades físicas. Posto isto, o Governo Federal precisa estabelecer uma prazo limite para a conclusão das obras em pelo menos 75% dos bairros nacionais. Por fim, a medida tem como intuito de que o direito dos indivíduos sejam contemplados. Ademais, Órgãos Não Governamentais carecem, por intemédio das redes sociais, instigar a população à pressionar os governadores e prefeitos de suas localidades. Para isso, necessita-se de manifestações simultâneas em todo país. Em suma, o ato é para forças os administradores públicos a cumprirem seus papéis sociais, conforme defende Bauman.