Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 12/09/2021
O célebre filme “Um Sonho Impossível”, de 2009, evidencia a realidade de um jovem negro periférico que tem grande potencial para esportes, mas, por falta de oportunidades, não obtido ascensão na carreira esportiva. Fora da ficção, o cinema é um reflexo do corpo social hodierno, que elucida a mesma displicência com o esporte ea cidadania na sociedade brasileira. Nesse aspecto, a adversidade é motivada tanto pela concentração socioespacial em inserção esportiva, quanto pela frágil infraestrutura do país.
Antes de mais, é perspícuo a discrepância geográfica no Brasil quanto a elos sociais, tais como chances de emprego, escolaridade e modo de vida. Nesse contexto, o projeto “Esporte e Cidadania”, implementado no estado do Rio de Janeiro, segundo o Ministério do Esporte, atende mais de 15 mil crianças e adolescentes, sendo 156 núcleos instalados em locais de vulnerabilidade. Entretanto, não obstante do avanço irrefutável, o projeto não é assertivo para a cidadania do país como um todo, pois concentra as chances a um único elo social independente. Em sintese, a inserção do esporte na vida do cidadão ainda perscrutou a restrita a massa populacional, que limita como oportunidades de estados periféricos.
Outrossim, é sensato pontuar a fragilidade da infraestrutura de escolas públicas e como a prática do esporte tornou-se ínfima para o país. Sob esse prisma, consoante dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira(INEP), aproximadamente 73,2% das escolas públicas de ensino fundamental não possuem quadra esportiva ou os materiais necessários para atividades físicas. Paralelo a esse impasse, em 2019, Jair Bolsonaro, até então presidente da República, extinguiu o Ministério do Esporte e o fundiu com o Ministério da Cidadania, o que elucida a banalização da importância do esporte na vida do cidadão brasileiro e o retrocesso dos avanços para solucionar a incógnita do esporte e cidadania na malha social.
Depreende-se, portanto, que ações devem ser delegadas com o propósito de reverter a displicência do país em relação ao esporte. Para tanto, é dever do Ministério da Educação, em sinergia com o Ministério da Cidadania, — que, juntos, têm a função social de asseverar os direitos cidadãos e sociais — potencializar as oportunidades de crianças e adolescentes no esporte, seja por lazer ou profissão, por meio da dissipação do projeto “Esporte e Cidadania”, antes restrito ao estado do Rio de Janeiro. Paralelamente, o Poder Executivo deve divergir os Ministérios da Cidadania e do Esporte, com o intuito de assegurar valor social às práticas físicas. Destarte, assim como na moral do filme “Um Sonho Impossível”, o Brasil concederá oportunidades em todos os elos sociais e valorizará o esporte.