Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 30/07/2021
Rayssa Leal, ao ser a mais nova medalhista olímpica do Brasil, representa claramente como o esporte, se incentivado desde a formação do sujeito, tem o potencial de manter uma função social ativa no país. No entanto, a história da maranhense não simboliza o contato da maior parcela da população brasileira com o desporto, já que não há estímulos para as práticas esportivas. Nesse sentido, observa-se a falta de incentivo e a negligência do Estado como origem do quadro. Assim, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura.
Primordialmente, vale ressaltar que os Jogos Olímpicos, criados na Grécia Antiga, foram desenvolvidos com intuito de promover a amizade e interação entre povos. Entretanto, pessoas do sexo feminino e pessoas portadoras de deficiência sofrem ainda mais com a falta de incentivo, visto que, segundo o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas 2% dos brasileiros que se consideram deficientes praticam esportes. Dessa forma, é paradoxal observar a pluralidade social no povo brasileiro e, ao mesmo tempo, a lamentável prática de discriminação às diferenças.
Ademais, parafraseando o renomado filósofo Thomas Hobbes, a função do Estado é garantir os direitos essenciais a todos. No entanto, o governo se relaciona com a sociedade de modo omisso e negligente, já que, de acordo com o IBGE, as escolas particulares possuem 30,7% a mais de recursos esportivos em relação às escolas públicas. Logo, tais dados evidenciam como as práticas esportivas ainda se concentram na elite e, assim, contribuem para a naturalização da desvalorização do esporte. Dessa maneira, é ilógico pensar que num país que se consagra desenvolvido, as práticas esportivas sejam colocadas em segundo plano.
É inaceitável, portanto, que exista uma parcela significativa da sociedade afetada pelo impasse. Destarte, é necessário que o Ministério da Cidadania - órgão responsável pela criação de programas culturais e esportivos - desenvolva, por intermédio de verbas governamentais, políticas públicas que sancione projetos esportivos nas praças públicas que tenham recompensa, com intuito de tornar o esporte acessível à todas as classes sociais. Outrossim, cabe às ONGs - Organizações Não Governamentais - em parceria com a mídia, por meio de comerciais televisivos e anúncios nas grandes plataformas digitais, promover campanhas de incentivos aos jovens, a fim de estimular o atletismo. Feito isso, mais realidades como a de Rayssa serão vistas.