Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 06/08/2021

A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 217, o dever do Estado em fomentar práticas desportivas em todo país. Conquanto, tal prerrogativa não tem se concretizado na prática - como disserta Gilbert Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel” - quando observa a falta de investimentos no esporte como exercício de cidadania dos brasileiros. Dessa forma, por causa da negligência estatal, bem como a desinformação nas redes sociais, essas consequências são agravas. Assim, faz-se fulcral a análise desses fatores.

Com efeito, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater tal problema. Nesse aspecto, a escassez de projetos estatais que visem à melhoria na infraestrutura esportiva, principalmente, em bairros mais humildes contribui para a entrada de jovens no mundo da criminalidade, segundo pesquisa do G1. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Governo não exerce sua função de garantir os direitos civis. Um exemplo disso é a ausência de quadras esportivas em escolas públicas, como afirma o INEP,  que em 73,2% das escolas municipais, estaduais e federais não apresentam locais de práticar esportes.

Nota-se, outrossim, que a desinformação na sociedade brasileira, no que tange à valorização de esportes paralímpicos, é um grande impulsionador desse impasse. Nesse sentido, devido à falta de informações nas redes midiáticas sobre a importância do reconhecimento de pessoas com deficiência na prática de esportes como meio de inclusão social e de cidadania, há a exclusão desse grupo pela sociedade individualista. Nesse horizonte, de acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, “o mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Desse modo, pior que a ocorrência dessa problemática é a indiferença das pessoas em se habituar a essa realidade como normal.

Portanto, percebem-se os entraves que contribuem para persistência da falta de investimentos e da valorização no esporte. Destarte, cabe ao Ministério da Cidadania criar projetos nas periferias, por meio de reformas e edificações de centro esportivos, fomentar campeonatos com premiações participativas, no intuito de construir jovens cidadãos brasileiros críticos e empenhados com um futuro melhor. Ademais, cabe ao Ministério das Comunicações abordar a importância do incentivo e reconhecimento da população em esportes paraolímpicos, mediante propagandas e campanhas publicitárias nas redes midiáticas. Dessarte, será possível estabelecer uma sociedade permeada pela efetivação dos princípios da Carta Magna.