Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 09/08/2021

Copa do Mundo, Olimpíadas e Torneios Interclasses, tais fenômenos marcam positivamente o esporte no Brasil e contemplam cidadania, inclusão e paz. No entanto, o uso espetacular das atividades não adentra plenamente no cotidiano dos brasileiros, e isso traduz o imagético de segregação perante os indivíduos almejadores das práticas. Logo, duas essências contribuem para essa problemática: a desvalorização da atividade física nas escolas e a singularidade competitiva e elitista do esporte.

A princípio, a redução da disciplina esportiva nas instituições escolares a algo inoportuno e bestial obstaculiza a valorização do esporte. Tal acepção orquestra com a obra ´´O Cortiço´´, do escritor Aluísio Azevedo, a qual redige o contraste entre o trabalho braçal dos escravos e a atividade intelectual e sedentária dos brancos. Nesse viés, as disciplinas que exigem esforço físico e ação são equiparadas silenciosamente a algo sem valor e que não agrega virtudes cognitivas. Em vista disso, o conteúdo esportivo é negligenciado nas escolas, à medida que não se estimula agremiações, interclasses e requisição de novos jogadores, além disso a atividade física não é vista com seriedade acadêmica, isto é, passível de contribuir institucionalmente para formação do aluno. Desse modo, a indiferença com a disciplina nas escolas desarmoniza a situação brasileira.

Outrossim, a simbologia elitista e competitiva do esporte conceitua a prática a algo tangente somente aqueles que possuem ´´talento´´. Essa verdade contempla a filosofia de Giorgio Agamben, ao usar o termo ´´Homo sacer´´ para traduzir a sacralidade das pessoas, mas que a perde devido à omissão de seus direitos básicos. Nesse contexto, o caráter ´´místico´´ do esporte, como algo destinado unicamente às pessoas com aptidões profissionais relega as equipes amadoras ao esquecimento. Ou seja, prefere-se negar o esporte antiprofissional do que estimulá-los com equipamentos e treinamentos. Por consequência, os jogadores se afastam do caratér sacro de Giorgio Agamben, pois as vítimas desse problema não acessam seus direitos.

Portanto, competem aos agentes sociais relacionarem o esporte com a cidadania no Brasil. Para isso, o Ministério do Esporte deve publicitar jogos olímpicos nas escolas, com a presença de times e equipes de torcida, mediante verbas estatais, posto que valorizará a disciplina no âmbito escolar, com fins na harmonia coletiva. Em direção às prefeituras locais, propõe-se a projeção de torneios entre os municípios, com a junção de jogadores profissionais e amadores, por meio das mídias, pois a divulgação contemplará democracia, a fim de sanar o caráter elitista e competitivo do esporte. Somente assim, os brasileiros observarão uma plena cidadania nas atividades esportivas, apoiada pelos ajustes harmônicas do Estado e dos municípios.