Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 22/08/2021
O livro " O cidadão de papel" do escritor brasileiro, Gilberto Dimenstein aborda a problemática dos direitos constitucionais serem garantidos no papel, mas não serem efetivos na realidade de muitos indivíduos. Acerca disso, o acesso ao esporte é de extrema importância para a construção da cidadania, porém não é assegurado de forma igualitária no país. Desse modo, é indiscutível que o desporte é uma ferramenta para inclusão social, contudo a carência de áreas destinadas para a prática esportiva nas periferias gera um ambiente de exclusão de uma parcela da sociedade.
Em primeiro lugar, é relevante ressaltar o papel dos jogos paraolímpicos como instrumento para romper com estereótipos negativos e com a exclusão de grupos em vulnerabilidade social. Sob essa ótica, projetos coma as paraolimpíadas, os quais mostram que pessoas com deficiência física podem realizar atividades esportivas com excelência, são importantes para quebrar com preconceitos sociais, como o de que pessoas com incapacidades físicas são irrelevantes para a construção da sociedade. Assim, além do esporte desenvolver no cidadão um sentimento de pertencimento da esfera social, também estrutura indivíduos que respeitam as diferenças.
Ademais, o filme “Crache Carter” retrata o poder do esporte para a transformação tanto individual quanto social de jovens que moram em locais de grande ascensão para a marginalidade. No entanto, a falta de locais apropriados para o exercício de atividades esportivas em áreas periféricas dificulta o contato dos jovens com o lazer e os valores, como o respeito ao próximo, ensinado em atividades como o judô, por exemplo. Desse modo, a carência de acesso dos sujeitos que moram no subúrbio aos seus direitos, como o esporte, impede que a mudança ocorrida no longa “Crache” aconteça na realidade.
Inferem-se, portanto, desafios para a aquisição de atividades esportivas de forma igualitária. Por isso, o Governo Federal, em parceria com o Instituto de Geografia e Estatística, deve mapear as áreas que tenham carência de locais públicos apropriados para o exercício de atividades físicas, principalmente nos subúrbios, com o objetivo de organizar projetos para a construção de quadras poliesportivas e reformas dos locais destinados ao esporte que estão sucateados, por meio da contratação de empresas privadas especializadas na construção civil, a fim de possibilitar que todo cidadão desfrute dos benefícios garantidos pela prática esportiva. Em suma, os direitos irão sair do papel e, assim, farão parte da realidade social de forma mais democrática.