Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 27/08/2021

É só pegar a história recente do esporte e traçar uma comparação com a do povo brasileiro. No início do século XIX, quando estava começando no Brasil, o futebol era esporte nobre, praticado pela fina flor da sociedade e por ingleses e seus descendentes. Para jogar, alguns jogadores esticavam o cabelo com ferro quente e passavam pó-de-arroz na pele para ficarem menos escuros.

O Vasco da Gama, clube fundado por portugueses, foi proibido de jogar no campeonato carioca sob alegação de não ter estádio com capacidade suficiente, mas isso era uma desculpa para tirá-lo da competição, já que foi o primeiro time do Rio a incluir negros no seu time.

Então, em grande campanha popular, os vascaínos conseguiram dinheiro suficiente para construir o maior estádio do País, São Januário, em 1927, inaugurado em dia de gala contra o poderoso Santos, que sapecou 5 a 3 nos cariocas diante do presidente da República Washington Luís. que importa é que após esse episódio os negros garantiram gradativamente um espaço maior no nosso futebol.

Junte os brancos pobres, junte também os outros esportes e verá quantos só passaram a ser considerados cidadãos pelos seus feitos nos campos, nas quadras, pistas, piscinas. Assim, quando o esporte torna pobres, pretos e portadores de deficiência física admirados, dá a eles possibilidades concretas de ascensão social, está contribuindo para a plena cidadania.

Quando fui diretor de comunicação da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo, em 1997, tive acesso a pesquisas que comprovavam a relação entre a falta de áreas de lazer, a ausência da oferta de prática esportiva aos jovens, com o aumento da criminalidade.

Em outras palavras: os bairros mais violentos de São Paulo eram e são os mais carentes em equipamentos esportivos

campos, quadras, piscinas, áreas verdes. O jovem que coloca seu corpo e sua energia em movimento, que compete e tem objetivos, passa a ter uma atitude mais otimista e esperançosa com relação ao futuro