Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 02/09/2021

No filme ‘‘Invictus’’, de 2009, após o fim do apartheid, o recém-eleito presidente Nelson Mandela lidera uma África do Sul racialmente e economicamente dividida. Ele acredita que pode unificar a nação por meio do esporte. Para isso, Mandela se junta com Francois Pienaar, capitão do time de rúgbi, promovendo a união dos sul-africanos em favor do time do país na Copa Mundial de Rúgbi de 1995. Fora das telas, é evidente que o esporte exerceu uma função importante, sendo capaz de juntar um país, mas, hodiernamente, há o desinteresse em esportes, impedindo a inclusão social para crianças de locais desfavorecidos, bem como a falta de uma estrutura física decente para o incentivo da prática de exercícios. Nessa perspectiva, esse problema precisa ser resolvido com urgência.

Em primeiro lugar, é essencial destacar que o esporte é um agente social poderoso, apto de transmitir valores morais importantes, normas e conduta. Ademais, segundo o artigo 217° da Constituição Federal de 1988, é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um. Todavia, a certeza que a Lei Maior esteja sendo seguida é impotente, visto que segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), em 2015, cerca de 39 milhões de pessoas de 15 anos ou mais praticaram algum esporte e 123 milhões de pessoas não praticaram, sendo que 91 milhões de pessoas nunca praticaram esportes na vida. Das pessoas que não praticaram esportes no período de referência, 38% alegaram falta de tempo e 35% disseram não gostar ou não querer. Nesse viés, ações governamentais para mitigar esse raciocínio são cruciais.

Outrossim, as academias populares são locais excelentes para idosos, de forma gratuita, todos podem usá-la para se exercitar. Sendo um lugar aberto, serve para eventos e interação social e troca de conhecimento. Contudo, na realidade, o descaso e falta de manutenção das academias populares existentes e áreas de lazer enfurecem a população dependente dos equipamentos, principalmente para os idosos. Segundo uma reportagem pela TV Gazeta, moradores de Vitória, Serra e Vila Velha reclamam de equipamentos enferrujados, quebrados com peças soltas e sem instrução de uso. Destarte, um diagnóstico periódico dos equipamentos é necessário para certificar o funcionamento.

Diante dessas considerações, essa mazela deve ser superada. Dessa forma, é inadiável que o Ministério da Cidadania, junto ao Ministério da Educação e a ONG Reação, desenvolvam um programa de incentivo ao esporte, incluindo reformas nas academias públicas e a criação de centros de treinamentos de judô em comunidades carentes, para ensinar autodefesa a crianças e despertar nossos interesses no esporte, bem como estimular a prática de atividades físicas na escola, lugar onde crianças passam maior tempo fora de casa. Posto isso, será possível unir a nação igual em Invictus.