Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 26/08/2021
Governos autoritários, tais como a Ditadura Militar no Brasil e o Nazismo na Europa, usavam os eventos esportivos para fazer propaganda do Estado e fortalecer o patriotismo dos civis pelo país. Nessa perspectiva, vê-se que as práticas esportivas têm grande poder de influência sob a sociedade, pois, além de ser uma via que promove o entretenimento do tecido social, corroboram o desenvolvimento físico e mental dos cidadãos. Sob esse viés, é nítida a necessidade de uma urgente implementação do esporte nos hábitos cotidianos dos brasileiros, todavia, empasses estruturais e políticos a restringe.
Precipuamente, é lícito postular que a prática de atividades físicas beneficia tanto a saúde, quanto o desempenho intelectual e a produtividade humana. Em consonância com o educador Paulo Freire na obra “Pedagogia da autonomia”, é obrigação das escolas ensinar não só o conhecimento técnico, mas também as habilidades socioemocionais. À luz dessa premissa, as modalidades esportivas no sistema educacional, por trabalharem a cooperação em grupo, a criatividade, a comunicação e a confiança, desenvolvem nos alunos as habilidades requeridas por Paulo Freire, ademais, também estabelece conexões entre os estudantes, o que facilita a inclusão social. Por conseguinte, depreende-se que o esporte nas escolas oferta amplas vantagens na evolução pessoal e acadêmica dos cidadãos.
Não obstante, apesar dos proveitos supracitados, o setor esportivo é desprovido de infraestrutura, recursos e suporte, mesmo que esteja garantido em lei na Constituição Federal de 1988. Por analogia, Gilberto Dimenstein, escritor da obra “Cidadãos de Papel”, relata que, embora a legislação brasileira seja complexa e bem elaborada, as normas não são empregadas na prática. Dessa forma, infelizmente, esse cenário se aplica ao esporte, haja vista a falta de investimento para fomentar as práticas desportivas. Consequentemente, a ausência de incentivo financeiro restringe o esporte nas escolas e nas políticas públicas. Infere-se, portanto, que o esporte, como promovedor do bem estar nacional, deve ser potencializado pelo Estado. Desse modo, a Câmara Legislativa deve efetivar as leis existentes sobre o esporte, por meio da criação de um projeto, além da petição de subsídios ao Tribunal de Contas da União para financia-lo, que imponha a obrigatoriedade de instituir pelo menos cinco modalidades esportivas diferentes por escola. Dessarte, espera-se, com isso, potencializar os benefícios das atividades físicas nos alunos e assegurar o acesso ilimitado e gratuito ao esporte de qualidade e diversidade.