Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 02/09/2021
A sociedade brasileira é conhecida por ser discriminatória, especialmente com os negros, pobres e deficientes. Estas pessoas ficam privadas de direitos essenciais, que são naturalmente concedidos às demais parcelas da população. Um desses é o direito de ser visto como cidadão na plenitude da palavra, podendo usufruir de benefícios e aspirando a uma melhor qualidade de vida. Outro direito é a prática profissional de esportes, desde o século XIX. Era inconcebível que times admitissem os menos aristocrátas da sociedade. Aqueles que, por ventura, cogitassem a ideia de contratar ou escalar atletas que não pertencessem à burguesa branca de físico e intelecto perfeito, eram proibidos de participar de competições, fossem elas de nível estadual e até mesmo nacional.
O futebol foi uma modalidade que, por um lado reforçou a discriminação e, por outro, abriu portas para atletas provarem que, aptidão e desempenho vão muito além da cor da pele, da condição financeira ou mesmo da necessidades especiais. Um bom exemplo disso é descrito pela história do Bangu Atlético Clube, time fundado por ingleses, mas formado principalmente por operários de uma fábrica de tecidos do subúrbio do Rio de Janeiro. Após escalar um atleta negro, o clube viu a Liga Metropolitana de Football publicar uma nota proibindo o registro de “pessoas de cor” como atletas. O time abandonou a Liga e não disputou o Campeonato Carioca de 1907. Porém, manteve o jogador negro em seu plantel.
Situações como esta, vivenciadas por vários times - e seleções- fizeram com que as autoridades em esportes, revisassem cláusulas discriminatórias em eventos esportivos e passamos a ver muitos negros, pobres, deficientes terem sucesso em suas sólidas carreiras nos esportes em que tem alto rendimento.
Essa história não termina aqui. Ainda hoje, vemos atletas consagrados participando de competições internacionais serem vítimas de discriminação por causa de sua pele, de sua origem humilde. É preciso que, os atletas, as autoridades, os torcedores tomem posturas ativas contra esse fato.