Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 17/10/2021
A Constituição Federal de 1988 prevê no artigo 3º a construção de uma sociedade livre, justa e igualitária. Todavia, tal prerrogativa não tem se reverberado com eficácia na prática, visto que, substancial parcela da população brasileira não possuí o livre acesso ao esporte, o que fragiliza o exercício da cidadania. Nessa senda, o histórico social e a indiligência do Estado protagonizam a manifestação desse revés.
De início, é imperioso notar que a herança colonial, em sua mazela, ainda é presente na sociedade e prejudica o acesso ao esporte. Nesse viés, a obra “Casa-grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, denuncia a construção de uma sociedade hierárquica, excludente e preconceituosa. Em decorrência disso, essa típica estrutura social se manifesta no cenário esportivo, em que muitos jovens e crianças da periferia não possuem oportunidades de inserção em núcleos esportivos em relação as parcelas previlegiadas dos centros urbanos e, assim, sofrem discriminação e se distanciam do caminho do esporte. Logo, enquanto o direito ao esporte for negado a esses indivíduos, o exercício da cidadania será uma exceção no Brasil.
Em detrimento dessa questão, a omissão do Estado potencializa esse revés. À vista disso, o filósofo John Rawls relata em sua obra “Uma teoria de justiça”, que um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para os setores públicos, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Entretanto, a máxima do filósofo não se concretiza no cenário vigente do Brasil, haja vista que substancial parcela das escolas públicas não possuem estruturas para as práticas esportivas, o que acarreta desinteresse de crianças e de jovens ao esporte e, por conseguinte, ao âmbito educacional. Desse modo, a manutenção da indiligência do Estado em garantir os recursos necessários para que os indivíduos usurfruem de seus direitos, representa um retrocesso para a cidadania no país.
Destarte, é preciso mitigar os efeitos desse impasse na sociedade brasileira. Para tanto, urge que o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Cidadania promovam construções de centros esportivos nas regiões periféricas, como também, melhore as estruturas das práticas esportivas nas escolas, por meio de um maior repasse de verbas com fito de investir na integração de crianças e de jovens ao esporte e a cidadania. Ademais, deve-se incluir parcerias com plataformas digitais que orientem e combatam por intermédio de propagandas comportamentos excluedentes no esporte e em todo corpo social. Com essas ações, será possível assegurar o direito a todos.