Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 23/10/2021

O filme “Invictus” mostra o esporte rúgbi como ferramenta de resistência e inclusão social de jovens negros durante o regime de “apartheid” na África do Sul. Fora da ficção, o esporte realmente possui um excelente potencial para melhorias na sociedade, como a diminuição da violência, entretanto as péssimas condições estruturais esportivas das escolas, diminuem tal potencial. Diante dessa perspectiva, torna-se necessário o debate sobre o tema.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a capacidade do esporte como estopim de mudanças sociais. Observando as comunidades no país, verifica-se a redução da violência, em boa parte daquelas que possuem programas esportivos financiados pelo governo. Isso ocorre por causa dos bons valores sociais, como a disciplina e o respeito, que são propagados no esporte, afastarem uma grande quantidade desses jovens da criminalidade. Tal situação pode ser comprovada segundo a um estudo realizado pela Unesco no Brasil, programas de apoio ao esporte diminuem a taxa local de delitos em até 30%. Desse modo, tal hobby segue como uma força na criação de vínculos e compromissos nesses ambientes, facilitando, assim, a mudança da triste realidade das favelas e periferias.

Ademais, a falta de investimento estatal nesse setor representa um empecilho ao acesso das práticas esportivas e, consequentemente, da plena cidadania por parte da sociedade, haja vista que, em virtude da falta de uma infraestrutura adequada à implementação de tais práticas, muitos jovens brasileiros não possuem a oportunidade de utilizar o esporte em sua formação cidadã, em muitos casos, se aprende o respeito às regras e ao próximo também que podem ser adquiridos mediante o esporte. Comprova-se tal diligência governamental em dados publicados pelo Inep, em que é possível notar que apenas 26,8% das escolas públicas do 1º ao 9º ano possuem quadras de esportes. Sob essa ótica, infere-se que há a necessidade de se criar políticas públicas que mudem essa realidade.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar esse problema. Para isso, o Ministério dos Esportes deve construir quadras esportivas em áreas periféricas, e também, mediante concursos públicos, contratar graduados em Educação Física para realizarem projetos esportivos de inclusão nesses edifícios, afim de atrair a comunidade da região. Além disso, por meio de recursos públicos, construir quadras de esportes nas instituições públicas de ensino que ainda não possuem, com o propósito de democratização do meio. Somente assim, a população brasileira poderá desenvolver assim como em ‘‘Invictus’’.