Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 21/10/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o acesso ao esporte como inerente a todo cidadão. No entanto, observa-se justamente ao contrário, uma vez que o esporte não alcança toda a população brasileira. Com isso, emerge um delicado problema, em virtude do silenciamento e da negligência governamental.
Dessa forma, em primeira análise, a falta de debates é um desafio presente na problemática. Djamila Ribeiro, escritora brasileira, afirma que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na questão do esporte para portadores de deficiências, visto que em 2021, por exemplo, observou-se uma disparidade no número de telespectadores e no engajamento nas redes sociais entre as Olímpiadas e as Paralímpiadas de Tokyo (G1), evidenciando, assim, a falta de holofotes nessa prática e, consequentemente, a falta de inclusão no esporte. Logo, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.
Em paralelo, a falta de investimento do Estado é um entrave no que tange ao problema. Para Aristóteles, a função da política é garantir o bem-estar social. Tal constatação é incompreendia dentro do esporte, uma vez que os atletas da seleção brasileira muitas vezes arcam com seus gastos de viagens, de médicos etc. Isso ocorre pois o governo não ofere um auxílio financeiro suficiente para as modalidades do esporte com menos evidência na sociedade - como o futebol feminino e atletas paralímpicos (G1). Desse modo, promover uma reconfiguração governamental é urgente.
Portanto, é indispensável intervir sobre o esporte e a cidadania na sociedade brasileira. Para isso, o Poder Público, em parceria com o Ministério da Economia, deve elaborar investimentos para o esporte, por meio de equidade na destinação de verbas, a fim de reverter os problemas financeiros dos atletas no Brasil. Tal ação pode, ainda, ser divulgada na mídia de massa para incentivar a população e os seus futuros competidores. Paralelamente, é preciso intervir sobre o silenciamento da modalidade paramlímpica. Dessa maneira, o Brasil poderá ter seu direito Constitucional garantido.