Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 23/10/2021
“É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parente do futuro” disse o velho sábio Tuahir - personagem do romance Terra Sonâmbula de Mia Couto. Tal excerto remete, assim, a um importante desafio que obstaculiza, hoje, o caminho dos cidadãos brasileiros e compromete o porvir. Qual seja, a desigualdade de acesso ao esporte. Desse modo faz-se inadiável o debate da ilicitude desse quadro, cujas principais motivações são a desigualdade social e a ineficiência estatal.
Em primeiro plano, alude-se à Constituição de 1988, Pilar do ordenamento jurídico do país, que institui a saúde e o lazer como direito de todos. Nada obstante, o país ainda enfrenta desafios na inclusão de uma parte da sociedade no esporte, o que expõe os cidadãos, muitas vezes, ao sedentarismo e a exclusão social. Logo, a elitização de práticas esportivas fustiga o estado de direito e ameaça as garantias nacionais supracitadas da população mais vulnerável.
Ressalta-se, outrossim, que, segundo Milton Santos, o país sofre, desde seu processo formativo, com o triste fenômeno da “cidadania mutilada”. Sob esse prisma, a falta de acesso à prática esportiva pela população mais pobre, acontece, em grande medida, devido à desigualdade de acesso a infraestrutura esportiva, pois, grande parte das escolas públicas e bairros periféricos não dispõe de locais apropriados para a prática esportiva. Por último, a insuficiência de políticas públicas voltadas ao esporte inclusivo e ao paradesporto agrava ainda mais essa conjuntura, portanto, corroborando o geógrafo, intervir nesses obstáculos é premissa para fomentar um esporte cidadão.
Diante do exposto, é papel do Poder Público, principal garantidor da Lei Maior, expandir as áreas para a prática de esportes. Isso dar-se-á mediante o destino de verbas à infraestrutura esportiva, usadas, por exemplo, na construção de quadras poliesportivas e contratação de profissionais da educação física. O objetivo será atuar especialmente junto à população mais vulnerável socialmente e, por conseguinte, impulsionar o esporte como ferramenta de cidadania. Dessa forma, retomando Mia Couto, o caminho que então percorrerá, levará o país a um futuro mais desenvolvido e inclusivo.