Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 23/10/2021
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista, acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, o descaso com a cidadania, principalmente com o esporte nacional, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela carência de manutenção e reforma dos espaços públicos para práticas corporais e esportivas, seja pela falta de incentivo ao uso consciente e cuidado da população com esses locais, o problema permanece silenciosamente afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Primeiramente, é necessário destacar que esse sonho de um Brasil perfeito está distante do Brasil real, visto que o estado das quadras e das academias públicas leva o país de encontro a essa concepção idealizada por Quaresma. Isso porque, mediante à baixa atuação dos setores governamentais, o cidadão fica à mercê da própria sorte. Segundo a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura.), qualquer país só evoluirá quando houver políticas públicas eficazes para combater os problemas sociais. Portanto, o legado de negligência e ignorância frente ao acesso da população a uma área para a prática desportiva persiste e impede que o Brasil prospere rumo ao desenvolvimento social pleno.
Em segundo lugar, nota-se que a negligência governamental é uma das causas da questão. Segundo a jornalista Mônicka Christi, a negligência governamental para com o povo na observância e cumprimento de sua obrigação quanto aos direitos do cidadão é uma afronta desrespeitosa à lei e à justiça. Nessa lógica, em se tratando de diversas matérias, mas, principalmente, no que tange à fiscalização e policiamento do Estado com a população para a preservação do espaço público, percebe-se um total despreparo e inércia por parte do governo federal. No sentido de que não há nenhum tipo de educação e preparação social em relação à questão, ocasionando diversas consequências da qual o próprio Estado não demonstra competência para solucionar. Sendo assim, é inaceitável que um país que detém uma das maiores taxas de impostos do mundo, não tenha planos e meios de erradicar o revés.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para resolver essa problemática. Diante disso, cabe ao governo federal, em conjunto com as prefeituras e ao ministério do esporte, promover tanto uma reforma como exigir dos cidadãos respeito e cuidado com o meio público. A ideia é que, convencendo o usuário das áreas desportivas a conservá-las, o Estado possa usar da verba destinada ao reparo desses lugares em projetos sociais, a fim de que esses espaços continuem podendo ser utilizados.