Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 23/10/2021
O pensamento positivista formulado pelo filósofo francês Auguste Comte inspirou a frase política “ordem e progresso”, exposta na célebre bandeira nacional como ideal de desenvolução da nação. Entretanto, a ineficácia da relação entre o esporte e a cidadania na sociedade brasileira atual representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Dessa forma, faz-se necessário discutir o tema, sendo essa problemática agravada pela elitização das práticas desportivas e pela negligência estatal. Tal fato reflete uma realidade extremamente complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população tupiniquim.
A priori, torna-se fundamental apontar que o revés encontra motivação no caráter elitista e segregacionista do meio esportivo hodierno. Nesse contexto, é possível associar tal questão ao pensamento do filósofo Sérgio Buarque de Holanda, segundo o qual a segregação social é uma característica persistente e intrínseca à população brasileira. Desse modo, integrados a uma realidade em que as práticas corporais são encaradas exclusivamente como manifestações das camadas mais altas da sociedade, os brasileiros acabam excluídos de tais atividades, o que reverbera um quadro preocupante de regresso social. Portanto, a exclusão coletiva das práticas desportivas apresenta-se como um fator agravante do problema e evidencia a necessidade de reversão desse cenário.
Outrossim, é oportuno mencionar que o pensador Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso do corpo social. Todavia, o pensamento do filósofo vai de encontro ao cenário vigente, uma vez que o poder público mostra-se falho na responsabilidade de garantir e promover atividades desportivas acessíveis e inclusivas. Assim, alheios às práticas corporais, os brasileiros tornam-se despidos de uma integração comunitária e permanecem em uma realidade de involução, uma vez que o esporte apresenta-se como uma poderosa ferramenta de desenvolvimento coletivo e de consolidação de conhecimentos e valores. Logo, enquanto as autoridades forem negligentes, será possível observar a persistência do impasse no Brasil.
Diante do exposto, para efetivar a relação entre o esporte e a cidadania na sociedade brasileira, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao governo federal, instância máxima da administração executiva, criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional Desportivo, o qual consistirá no maior investimento em academias populares e infraestruturas esportivas. Posto isso, tais medidas teriam por finalidade difundir os desportos entre todas as camadas da população e, assim, potencializar a integração cidadã por meios dessas práticas. Somente assim será possível construir um futuro melhor e a realidade aproximar-se-á dos ideais almejados no simbólico pavilhão brasileiro.