Esporte e cidadania na sociedade brasileira

Enviada em 18/10/2021

De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita por Stefan Zweig, em 1941, o Brasil assume uma conotação otimista, o que desenha uma projeção de um tempo promissor. Entretanto, há uma discrepância entre o que foi entregue e o que era esperado, tendo em vista a falta de incentivo ao esporte como agente social de integração interpessoal — um problema alarmante que acentua a diferença individual em vez de atenuá-la. Assim, é possível affirmar que não só a visão superficial do esporte como um mero jogo competitivo, mas também a falta de programas voltados para o relacionamento esportivo fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.

Inicialmente, é necessário desmistificar a atividade esportiva como uma simples ação física sem qualquer significado profundo. Por exemplo, as competições olímpicas fornecem a base de conteúdo imprescindível à vida humana,   como persistência, trabalho em equipe, respeito ao próximo e, acima de tudo, reconhecer derrotas sem subversão.  A priori, é inadmissível que um conjunto de valores ensinados por meio do esporte seja sucumbido a uma análise não crítica de simples corpos procurando vencer um campeonato — afinal, os jogos ensinam muito sobre um coportamento  de vida.

Ademais, outro tópico importante tange à questão da inadimplêncial governamental para com os projetos esportivos, os quais parecem não estar difundidos pelos municípios. De acordo com o Código Civil do Brasil, o cidadão tem direito ao lazer, o que, porém, se assemelha mais a uma representação simbólica no papel, tendo em vista a escassez de acesso à hábitos esportivos. A partir desse ponto de vista, é incontestável a ineficiência da gestão pública em relação à disponibilização do que é prometido em documento oficial — aliás, cidadão não é apenas dever, mas possuir direitos também.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com as instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca da apropriação útil de comportamentos no esporte para um melhoramento pessoal como cidadão. Além disso, cabe também ao poder municipal promover campeonatos nos ginásios públicos dos municípios por meio de figuras assalariadas que organizem semanalmente as competições, com regras estabelecidas e, principalmente, participação sem restrição de público. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria da compreensão do que o esporte pode trazer para a sociedade.