Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 20/10/2021
A cada quatro anos, um milagre se repete, o mundo inteiro se reune para acompanhar, por 16 dias, os Jogos Olímpicos. A humanidade manifesta o limite de sua capacidade física, bandeiras de países em guerra são hasteadas lado a lado, a raça humana se une, se abraça e canta o mesmo hino, o corpo humano será veloz, voará em direção ao sol e brilhará com o ouro das medalhas. Eventos como as olímpiadas se tornam uma demonstração do imenso poder transformador do esporte. No entanto, o Brasil, infelizmente, ainda não usa essa poderosa ferramenta de forma efetiva, pois não há uma política pública voltada para a prática de desportos e uma monocultura esportiva fortemente enraizada no país.
No Brasil o esporte não é tratado como uma política pública, poucos são os centros de treinamento poliesportivos de alto nível, tanto quanto não há um incentivo do poder público para a prática de desportos pela população. Em reflexo a isso, nas olímpiadas realizadas no Rio de Janeiro, o país conquistou apenas 19 medalhas, em contraste à Grã-Bretanha ao sediar as olímpiadas em 2012 e ao Japão em 2021 que ganharam, respectivamente, 65 e 57 láureas. Os números refletem o fracasso das autoridades brasileiras em tornar o país uma potência esportiva, desperdiçando o poder transformador desse para com a vida dos cidadãos, desde financeira à física.
Somado a essa problemática, apenas um tipo de prática esportiva é realmente valorizada no país, o futebol. Além de poucas exceções como o voleibol, as demais modalidades passam despercebidas pelo gosto popular. Nas mídias televisas, quase não há espaço para a transmissão de outros esportes além do futebol, contribuindo para a exclusão dos outros desportos, no país é preferível transmitir um jogo da série do C campeanato brasileiro, do que alguma modalidade onde um atleta brasileiro se destaca internacionalmente. Essa monocultura dificulta a difusão do esporte como ferramenta de cidadania, pois é se torna um desafio para um esportista olímpico, por exemplo, rebecer o apoio necessário para se profizionalizar e viver a partir do esporte, sob esse prisma, também diminui o interesse da população em práticar outras formas de atividade física.
Em síntese, a falha dos órgãos públicos brasileiros em inserir as práticas esportivas, além do futebol, no cotidiano da população do país, é um entrave para o exercício desse como forma de cidadania, perante a isso, medidas devem ser tomadas. É dever do Governo Federal, reativar o extinto Ministério do Esporte e por meio deste tirar, finalmente, do papel, o Plano Nacional do Desporto parado há mais de 23 anos, tornando o esporte polítíca pública no Brasil, através da construção centros de excelência e capitação esportiva para os desportistas do país, além de espaços públicos nas cidades brasileiras, voltados para a prática desportivas, abrangendo eventualmente todos os cidadãos.