Esporte e cidadania na sociedade brasileira
Enviada em 11/11/2021
A série “O Gambito da Rainha” conta a história de Beth Harmon, uma jovem que, aos poucos, conquista seu lugar no universo do xadrez. Porém, sua trajetória é repleta de dificuldades, dentre elas a falta de verba para bancar os jogos junto à sua subsistência, retratando as dificuldades do mundo do esporte e sua relação com a inserção social. Fora da ficção, no contexto brasileiro, nota-se que o esporte é históricamente segregador, no qual aqueles que possuem pleno acesso a esse direito, considerado necessário para o exercício da cidadania, pertencem a classes privilegiadas, assim como retratado na trama. Desse modo, é necessário discutir os fatores que influenciam a difícil relação entre esporte e cidadania no Brasil.
Nesse sentido, o esporte brasileiro é socialmente desigual, e possui raízes históricas. Essa questão decorre desde o Período Imperial, no qual o esporte nacional passou a ser desenvolvido, com modalidades trazidas por estrangeiros e sendo adaptadas à realidade brasileira. Porém, tal prática era acessível apenas às classes superiores, assim fazendo com que uma grande parcela da população fosse impedida de ter acesso a esse lazer. Desse modo, tal desigualdade permaneceu no país, cerceando a sociedade até os dias atuais. Assim, não há o acesso a recursos esportivos para grande parte da população, diferindo-se do que está inferido no Artigo 5º da Constituição Federal, a qual assegura a todo cidadão brasileiro o direito ao lazer, e, portanto, ao esporte.
Além disso, existe no Brasil hodierno uma forte negligência estatal, a qual contribui para a frágil relação entre a inserção social e a prática esportiva. Isso acontece, pois os representantes brasileiros possuem o costume de gerir o país em função de seus interesses, tese defendida pelo jurista Raymundo Faoro. Desse modo, diversos problemas brasileiros, sendo um deles a lacuna na garantia do esporte, são deixados de lado. Não à toa, como prova disso, vê-se que o Brasil é o oitavo país mais desigual do mundo, segundo dados do IBGE. Com isso, é possível notar que a falta dessa prática em território nacional é, também, uma questão política, a qual não realiza a manutenção do abismo social.
Portanto, conclui-se que o exercício da cidadania está diretamente atrelado ao acesso a todos os direitos, incluindo o esporte. Assim, é necessário que o Ministério da Cidadania garanta verbas para a criação de centros esportivos em regiões socialmente desfavorecidas por todo o país. Tal ação ocorrerá por meio de projetos de lei, os quais serão implantados em todos os 26 estados e Distrito Federal. Isso será feito com a finalidade de garantir a cidadania completa a todo cidadão brasileiro, assim garantindo as afirmações da Constituição e evitando dificuldades para quem quiser se inserir no mundo do esporte, tal como retratado na personagem fictícia Beth Harmon.